Barcelona…. cidade das obras inacabadas, da arquitetura de Gaudí, da praia urbana na Barceloneta e da planície que se estende aos pés do Parc Güell em direção ao mar. Das ruas cheias de gente, que sobe e desce as Ramblas num rodopio. A La Boqueria com as suas bancas cheias de fruta com cores garridas, as esplanadas espalhadas por todo o lado. As pessoas nas esplanadas, com Gin tónico ou a beber “cañas” a picar tapas e pinchos. As ruas cheias! A movida no agitado bairro de El Born que rodeia o bairro Gótico, a multiculturalidade das ruas mais estreitas e underground de Poble Sec que descansa à sombra do monte Montjuïc. Atravessar este meelting pot de culturas, de aromas nas ruas, ver as cores descendo a Diagonal e indo pelo Passeig de Gràcia, acabar o dia no Bairro de Raval.

A Barcelona do clima mediterrânico, das noites tão quentes como o dia e da excessiva humidade no ar.

Nesta Barcelona, cidade de artérias vivas em que a cada esquina há um toldo que anuncia cocktails, fomos visitar os sítios de referência no momento. Nem só de Gin tónico vive o país de nuestros hermanos,  a bem dizer, Barcelona não é bem na Espanha, é na Catalunha que é uma nação só por si.

Boadas

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O Boadas é tido como o mais antigo bar de cocktails em Barcelona. Aberto em 1933 por Miguel Boadas, um catalão nascido em Cuba, o Boadas ocupa solenemente a esquina da Carrer dels Tallers com a movimentada avenida das Ramblas. Miguel Boadas, filho de gentes que partiram de Lloret Del Mar para Cuba aprendeu por lá as técnicas de bar e quando voltou ao continente abriu um pequeno espaço onde ficou conhecido por usar o “Roll” para fazer os seus cocktails, uma técnica que trouxe de Cuba e que, entretanto, se foi perdendo depois dos anos 60.

Aberto numa altura crítica da história de Espanha, o bar sobreviveu à guerra civil. Miguel Boadas colocou a bandeira cubana à porta e afirmou a sua imparcialidade no conflito construindo uma casa onde a elite intelectual e artística se juntou ao longo de décadas. Quando Miguel saiu de cena, a sua filha Maria Dolores assumiu o bar e continuou o legado do pai atrás do balcão até a doença a incapacitar.

O espaço é pequeno e não tem mesas. Há um balcão imponente de madeira antiga e há pequenos balcões nas paredes recheadas de quadros com recordações. Os Bartenders do Boadas cresceram na casa e alguns trabalham lá há mais de 40 anos. Dizem-me que na casa se faz coquetelaria clássica, e mostram-me a antiga caixa de arquivo com pequenas receitas. Tenta-se de ser fiel ao que Miguel Boadas fazia, conservando a identidade do espaço. Há clientes ao balcão, uma mescla de visitantes habituais, uns jovens, outros mais velhos e de turistas. A todos eles é perguntado o que querem, o que gostam. Não há menu no Boadas, há um diálogo entre o Bartender e o cliente.

Quando entramos para esta pequena sala que vive a meia luz o reboliço das Ramblas fica lá fora e sentimo-nos na máquina do tempo, como se o ar ficasse mais denso e pudéssemos de alguma forma viver noutra época.

Merece a visita, nem que seja porque é um marco histórico da cidade e porque atrás do balcão há um Bartender com décadas de história para contar.

Numero Nueve

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O EL Born é um bairro emergente e vibrante. Cheio de vida muito embora esteja instalado paredes meias com edifícios góticos e com as pesadas energias de sítios que viveram tempos históricos complicados. Mas na sombra dos edifícios e no encruzar labiríntico das ruas, no El Born há uma animação fervilhante. Talvez por isso estejam localizados aqui alguns dos melhores sítios para beber um cocktail na cidade.

O Numero Nueve é um pequeno espaço numa dessas ruas movimentadas, um curto balcão, poucas mesas e os balcões altos nas paredes marcam o espaço com montra para a rua e um ambiente jovem. Ao entrar, ouve-se Funk bom e sente-se um ambiente descontraído e jovial.  Somos recebidos ao balcão por Adrian Peralta Macias, um dos Bartenders que com um sorriso largo nos fala do espaço, aberto há pouco mais de dois anos e cujo o nome simplesmente se deve ao número da porta.

No Numero Nueve pode-se “tapear” qualquer coisa ou simplesmente beber um copo no final do dia. Sentar na mesa do canto e ver a vida a acontecer para lá da montra. Adrian fez-nos um cocktail com base de Bourbon e marmelada bastante cítrico e um Pisco Sour. Nas mesas beberica-se Gins Tónicos e Cerveja. Há cocktails de autor e uma carta variada, num espaço com cor, simpatia e muito swing.

Collage

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O Collage é um bar de cocktails old school, onde se ouve jazz e soul e os espaços vivem a meia luz. A sua sobriedade quase que contrasta com o burburinho das ruas no El Born, mas para lá da porta encontramos um espaço que mistura o antigo com o novo, onde se preservaram elementos da construção antiga como os azulejos no topo do balcão, mas não se teve medo de trazer elementos novos. Num primeiro nível temos um pequeno espaço com o balcão e depois umas escadas que sobem para a mezzanine.

As madeiras predominam e a decoração tem um toque vintage. Fernando, um dos sócios diz-nos que construíram o bar onde gostariam de ir, que foi um sonho que se cumpriu. Queriam um espaço onde pudessem dar largas à criatividade, usar ingredientes de qualidade e ainda assim ter preços acessíveis. Espaço frequentado por turistas e pessoas da terra é com gosto que recebem muita gente da indústria e são ponto de encontro para outros Bartenders.

O menu de cocktails é sazonal e muda quatro vezes por ano, para além dos cocktails de autor apresenta uma boa seleção de clássicos.

Esperem ser recebidos com um copo de água servido à mesa e um sorriso, sentem e relaxem que o Collage é um bom bar para degustar um cocktail, ouvir o som de fundo e conversar.

Creps Al Born

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Crepes e cocktails parece ser o mote para este bar de porta aberta para a rua. O Creps Al Born é o sitio trendy no momento no bairro do EL Born e ponto de passagem obrigatório para quem quer sentir o ambiente festivo das noites de Barcelona. Visitámos o espaço ao final da tarde e o ambiente embora festivo era calmo e havia espaço, mas percebe-se que pela noite dentro as mesas de pé alto se enchem de gente que fala alto e dança ao som dos ritmos latinos que tocam por ali. No ar há um cheiro adocicado, a açúcar e a chocolate, o menu promete cocktails despretensiosos, mas bem feitos e acompanhados por um grande sorriso dos Bartenders que se atarefam atrás do grande balcão, que é o elemento chave do espaço. No teto estão penduradas t-shirts floridas, que fazem lembrar a onda Tiki e no balcão há a presença soberana do ananás.

Foi-nos servido um Chat Noir, um cocktail que se apresenta como um twist do Negroni e aparece nos clássicos no menu que é claramente influenciado por essa aura tropical que se respira no espaço, com nomes como Acapulco, Too Tiki ou Buenos Aires Swizzle. Não provámos crepes, mas ficámos curiosos com o resultado dessa harmonização e enquanto pensávamos nisso a bebericar o cocktail encostados à mesa de pé alto, a olhar o Passeig del Born cheio de gente através das portadas abertas, os Bartenders brindavam com um shot em conjunto com clientes. A batida latina aumentou de ritmo, sentiu-se que no Creps Al Born, a festa estava prestes a começar.

OHLA

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O Ohla é um destinto bar de Hotel. Fica a pouco mais de 10 minutos a pé do centro do Bairro Gótico e do frenesim do EL Born, basta subir a Via Laietana. Situa-se perto do lobby do hotel, e mal se entra no espaço sente-se um ambiente calmo e relaxado, embalado por música lounge.  O espaço é discreto e com uma decoração sóbria do qual sobressaem os cadeirões de costas altas de pele vermelha e os apontamentos em madeira. Mas o elemento mais importante talvez seja a grande janela de vidro que nos separa da rua, que nos deixa ao nível do trânsito e cria aquela sensação de que estamos isolados a observar o mundo. Nós relaxados num local tão tranquilo enquanto a vida se atarefa lá fora. Santi Ortiz recebeu-nos ao balcão com um copo de água aromatizada e aperitivos, ao que se seguiu um cocktail. Apesar do Bloomsbury Fizz, uma receita de Giuseppe Santamaria ser a referência na carta do bar, Santi brindou-nos com um 3 Magic Numbers, uma poção de Bourbon, Rum e Cognac, bitters e xarope de baunilha, que apesar de forte estava bastante equilibrado e animou o início de noite.

O espaço é visitado maioritariamente por turistas, clientes do hotel, pessoas da indústria de bebidas e alguns entusiastas do cocktail que consideram o Ohla como um dos melhores cocktail bar de Barcelona. Como num bar de hotel requintado, de cinco estrelas como este em que estamos, parece haver sempre tempo para tudo e um sorriso largo, mas discreto, a condizer com o requinte do local.

Balius

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O Balius é um Gastrobar situado em El Poblenou um bairro na zona oeste de Barcelona, a poucos quarteirões da praia e numa zona mais residencial, com menos turistas e por isso um local onde se respira a maior autenticidade daquilo que significa estar na cidade.

O espaço era uma antiga loja de ferragens que foi remodelada para se transformar num bar, Mike Cruickshank, o proprietário, conta-nos como preservou elementos importantes da construção antiga e as integrou no espaço, como as prateleiras envidraçadas por de trás do bar ou os azulejos na rua. Mike é um Escocês que se mudou para Barcelona há mais de três décadas para dar aulas de inglês. Acabou por ficar e o Balius, aberto desde o verão de 2014, é o terceiro espaço que abre na cidade. Diz-me que foram os primeiros a servir o Gin tónico nos tão conhecidos copos grandes e redondos e que gosta sempre de preservar a alma dos espaços.

Este Balius assume-se com um espaço de cultura, especializado em Vermutes mas com uma carta de 15 cocktails de autor que muda duas vezes por ano. A ligação à comunidade é grande, não só por manterem uma agenda ocupada com leituras, concertos e outras atividades, mas também por o fazerem sempre interagindo com as instituições e as pessoas de El Poblenou.

A noite já vai longa quando chegamos aqui, ouve-se Leonard Cohen e há pessoas a bebericar pelas mesas do espaço amplo. A cozinha já fechou, mas Mike oferece-nos algo para jantar, o que nos trás para a mesa ilustra também outro conceito que defende, o slow food, voltar a comidas mais saudáveis cozinhadas com tempo e com ingredientes biológicos e sustentáveis. A acompanhar um copo de Cava, de produção biológica e segundo nos diz, biodinâmica. Há no Balius 8 cocktails feitos com Cava.

Atrás do Balcão há duas Barmaids, não podemos deixar de notar, e todo o ambiente é descontraído, mas intimista como se todos ali se conhecessem.

Talvez porque é o bar onde por excelência se juntam depois do trabalho para beber um copo, ou porque nas tardes de fim-de-semana é um bom sítio para levar a família. O Balius é provavelmente aquele bar de cocktails que permanece como um pequeno segredo de quem vive em Barcelona, e que os turistas nunca sabem bem como lá vão parar!

Dry Martini

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O Dry Martini é um bar de referência em Barcelona, e aquele que nenhum entusiasta do cocktail pode deixar de visitar. Aberto há mais de 30 anos, inicialmente servia apenas Dry Martinis, era uma “Martinería”, que aos poucos foi introduzindo outros cocktails na carta de bar. Quando Javier de las Muelas tomou conta do espaço, quis preservar o estilo inglês de cocktail bar mantendo as madeiras e o bronze na decoração. Foi introduzindo aos pouco novos conceitos na coquetaleria até ali feita, apostando na alta mixologia sem nunca perder a essência da bebida inicial que se fazia no bar, o Dry Martini.

Situa-se na zona de Eixample, não muito longe da Diagonal, uma artéria que atravessa toda a cidade. Encontramos o Dry Martini na esquina da Carrer d’ Aribau e quando entramos encontramos um espaço intimista, mas amplo, com boa luz e jazz a tocar no fundo. Há espelhos e uma imagem de Bette Davis, no filme All About Eve que nos faz recuar no tempo das divas de cinema. Fomos recebidos por Nelson Semedo, um rosto português num dos melhores bares do mundo. Nelson levou-me num tour pelo espaço, porque o Dry Martini é mais que um bar, é um speakeasy com um restaurante para o qual se entra pela porta de serviço, um espaço de academia onde os clientes são convidados a experimentar, e que nas noites de quinta, sexta-feira e sábado se transforma num laboratório para experiências.

De volta ao balcão foi-me dado a provar um Wild Wild Breakfast, uma mistura de Maker’s Mark , Martini Rosso e Grand Marnier Amarillo, com notas cítricas e servido num Jar Glass com um toque de pimenta rosa.

Não é à toa que o Dry Martini é considerado pelo sétimo ano consecutivo como um dos The World´s 50 Best Bars, é o único bar espanhol considerado. É também o quarto Best Bar of all Time Achievers Worldwide e o primeiro europeu nessa lista, é ainda considerado o terceiro melhor bar de Gin no Mundo.

Enquanto me deixava levar pelo cocktail distrai-me com todos os pormenores do espaço. A receita do Dry Martini gravada no espelho, a imponência do grande balcão, o terno branco dos Bartenders, a imensa coleção de Vermutes nos armários que forram as paredes, e o cuidado com tudo isso foi pensado para o nosso bem-estar. Olhei de novo para Bette Davis, no seu vestido negro de Margo Channing, lembrei-me dela pedindo “I’d like a martini, very dry.”. Os filmes magníficos que faziam nos anos 50. Que privilégio conhecer um espaço assim.

Le Pop

Le Pop

O Le Pop é o bar do hotel Le Méridien Barcelona. Partindo da Plaza Cataluna, basta descer as Ramblas para encontrar o hotel que mora numa esquina ao nosso lado direito, pouco antes de chegar à La Boqueria. O edifício é imponente e de traça antiga, mas o Le Pop transparece um ar contemporâneo e de jovialidade para quem passa junto às suas montras envidraçadas, que dão diretamente para a avenida. Aberto há cerca de 19 anos, o Le Pop está numa fase de reconversão e quer afirmar-se como um dos melhores bares para se beber um cocktail em Barcelona.

A decoração invoca motivos da New Age francesa dos anos 80 e 90, o espaço é amplo e bem iluminado e há essa simbiose com a vida que passa na rua, com a grande montra de 180º a ser uma janela aberta para o mundo.

Matias Lopéz é o Bartender de serviço e explicou-nos o conceito do bar enquanto nos preparou um Kentucky Slash. Apesar de haver menu, no Le Pop este é apenas indicativo, o que importa reter é que a arte de bem receber, a hospitalidade e a ligação entre os Bartenders e o cliente é importante. É dessa conversa inicial que surgem recomendações, e as possibilidades vão muito para além do que está escrito no menu.

O espaço é muito frequentado depois do jantar e costuma ter música ao vivo e DJ, há possibilidade de comer tapas ou algo no restaurante que está mesmo ao lado e pedir para fazer uma harmonização da comida com o cocktail.

Matias conta-me que há a vontade de reformular o conceito de bar de hotel para o aproximar mais das pessoas, mas mantendo a qualidade e a dignidade que um bar de hotel deve ter. E que há um cuidado extra com cada cocktail, porque segundo Matias “Aquele pode ser o primeiro cocktail da vida de alguém, há que transformar o momento numa experiência inesquecível!”

Se for esse o caso, fica-se bem entregue aos cuidados de Matias e o Le Pop é um bom começo para descobrir o admirável mundo dos cocktails.

Old Fashioned

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O Old Fashioned é um pequeno bar numa dessas ruas agitadas, na zona da Grácia e não muito longe da Diagonal. E tal como o nome indica, aqui as coisas são feitas à maneira antiga. Ouve-se jazz e charlestone, e a estrela da casa é o Bourbon. Bruno Rodrigues, um dos mentores do projeto, é um português que depois de vários anos a trabalhar em hotéis de 5 estrelas decidiu em conjunto com Luca abrir um espaço onde pudessem dar largas à sua imaginação e fazer uma homenagem ao Bourbon. Conta-me que 95% dos cocktails feitos na casa tem como base esta bebida espirituosa, ou não fosse este o Old Fashioned bar! Mas nem só de Bourbon vive o espaço, a carta de Gin tónico é vasta e há tapas para petiscar.

A decoração é vintage e vai aos anos 20 buscar a inspiração, madeiras, sofás vermelhos, espelhos e molduras com fotografias antigas nas paredes, os Bartenders de camisa branca e suspensórios ou colete, tudo nos transporta para outra época.

Aberto no dia 12/12/2012, uma data auspiciosa, o espaço parece florescer, apesar de pequeno. E por ser pequeno é ao balcão que se faz magia, Bruno diz-me que “Bonito é sentar ao balcão e ver os Bartenders trabalhar”. Nas horas mais calmas do dia é realmente algo que merece atenção.  Um espaço essencial para os amantes de Bourbon, pela seleção de marcas, pelas raridades que se podem provar e pela vasta seleção de cocktails.

Provámos um Fashionista e um Passion Chocolate e ficámos com vontade de voltar!

Bloody Mary

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Fans do Bloody Mary, este é o vosso sítio! São dez as variações deste cocktail servidos na casa, mas se o Bloody Mary não é a vossa paixão há mais de 50 Gins para provar e uma seleção de 40 cocktails clássicos e de autor, basta sentar ao balcão e conversar com um dos Bartenders que vos vai ajudar a descobrir o que provar.

Situado a poucos metros do Old Fashioned, o Bloody Mary é outro projeto de Bruno Pereira que em parceria com Alex abriram um espaço mais descontraído e jovial, com uma decoração contemporânea, um espaço lounge com um serviço informal, mas de qualidade. Abel Rubio é o Bartender de serviço e como não poderia deixar de ser apresentou-nos a sua versão de Bloody Mary, num grande copo de líquido avermelhado e coroado com um pé de aipo. Refrescante como todo o espaço, uma lufada de ar fresco, com som alegre e ritmado que nos acordou e deu energia para seguir caminho.

Bobby Gin

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Não muito longe da Plaça de la Vila de Gràcia, encontramos o Bobby Gin, que como o nome indica é o templo do Gin na cidade. Mas nem só de Gin tónico vive a casa e a aposta é fazer um leque diversificado de cocktails com Gin, provando que esta é uma bebida mais versátil do que a generalização do Gin com água tónica nos fez crer.

O bar foi batizado em honra de Robert ‘Bobby’ Gallow, um Bartender reconhecido de Nova Iorque, cuja lenda conta que a avó imbuía a chupeta em Gin para o acalmar e que veio daí o seu talento para o mundo do bar. Alberto Pizarro, Bar Manager do espaço foi o vencedor da World Class 2011 e é um dos responsáveis pelo crescimento da grande coleção de Gins.

Mas o espaço é também um restaurante com uma grande diversidade de pratos a que se oferece a oportunidade de harmonizar com os Gins.

Decorado com um estilo alternativo e modernista é nos detalhes que se encontra a alma da casa. As gavetas recicladas e usadas como decoração, as frases nos quadros que decoram as paredes, as cores mais garridas misturadas com madeiras de tons negros, uma mescla interessante e muito urbana.

Num dos quadros lê-se que não há o Gin tónico perfeito, mas se houver acreditamos que o podemos encontrar no Bobby Gin.

Solange

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Até para os fans mais atentos da saga de James Bond, o nome Solange não é o primeiro que nos vem à cabeça quando pensamos em Bond Girls. Mas Solange Dimitrios é o nome de uma personagem que aparece num pequeno conto que Ian Flemming escreveu em 1963, “007 in New York” e que voltou à vida no filme de 2006, Casino Royale.

O Solange não é um bar temático sobre o agente secreto mais conhecido de sempre, e se lhe presta alguma homenagem é nos detalhes, o nome, o Champagne Bollinger em destaque no balão ou o menu de cocktails inspirado no último filme da saga, o SPECTRE. Situado na Carrer d’Arribau é vizinho do Dry Martini e partilha com este o gosto pelo requinte e o cuidado com que recebe cada cliente.

Alfredo Pernía recebeu-nos ao seu balcão e conversou longamente connosco sobre o seu espaço. Aberto desde abril de 2015, é gerido por Alberto e um irmão. Quiseram fazer um bar mais feminino inspirado no glamour das lojas da Gucci. Há espelhos espalhados e o tom dourado é soberano, refletindo de forma consistente a meia luz que ilumina os recantos. Num primeiro plano o grande balcão e num outro, mais abaixo, uma sala de confortáveis sofás. Alfredo fala-nos da sua paixão pelo mundo das marcas, o glamour de séries como Mad Man ou de livros como o Great Gatsby, o ambiente luxuriante que essas obras invocam. O Solange é por isso um espaço que vive envolto nessa atmosfera requintada, mas discreta como o luxo deve ser.

Ao balcão é-me servido um Tiger Tanaka, um cocktail com base de Hibiki Whisky cujo nome é uma homenagem a uma das personagens que aparece no quinto filme do famoso agente secreto “Só se vive duas vezes” de 1967.

No primeiro domingo de cada mês há Guest Bartenders com personalidades internacionais, e o espaço é muitas vezes ponto de encontro para outros Bartenders.

É fim de noite, e o jazz morno que toca convida a continuar ao balcão, conversar e degustar com calma o cocktail. Porque ao contrário de James Bond, nós só vivemos uma vez, e há sítios que temos mesmo de apreciar!

NOTA: As viagens são muito mais do que a soma dos sítios que visitámos, são também feitas pelas pessoas com quem nos cruzamos e nos abrem as portas do seu mundo, nos mostram as esquinas conhecidas e nos fazem sentir em casa. Este guia não poderia ter sido feito sem simpatia e disponibilidade de Pablo Nogueira. Que me guiou pela enorme cidade de Barcelona e me fez sentir sempre em casa. Obrigada!

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