A Luz de Lisboa fica ainda mais bonita no início do Outono, nos dias que são mais curtos mas ainda mornos, enquanto a vida volta devagar ao normal. As crianças a caminho da escola, os turistas em menor número e um pouco mais velhos, a tão esperada rentrée cultural, como novos concertos, abertura de espaços e essa sensação de se estar a começar, que paira no ar. Embora pelo chão já se veja as cores frias de Outono, a verdade é que pelas ruas da cidade continua a haver calor humano e criativo, com  novos espaços a abrir ou lugares que se reinventaram. Na primeira edição estivemos por Lisboa, voltámos agora porque ficámos com a sensação de que ficou algo por dizer. Continuará a ficar, porque a cidade cresce e respira, reinventa-se a cada estação. Ficará sempre algo por dizer, porque enquanto eu escrevo, sonhos concretizam-se e bares abrem, ingredientes misturam-se para criar novos cocktails, o coração da cidade pulsa energia por novas artérias criando novos pontos de interesse. Voltámos a Lisboa, e voltaremos sempre que for preciso, porque devemos voltar sempre aos lugares onde já fomos felizes!

 

 

Lotus Bar & Bistrô 

O Parque das Nações é a herança da Expo 98, da grande exposição mundial sobrou-nos uma área de Lisboa modernizada, com amplas avenidas e uma frente de rio requalificada. Durante a década que se seguiu esta transformou-se numa zona trendy da cidade até que aos poucos novas zonas foram emergindo e a noite deslocou-se. O Lotus Bar & Bistrô surge um pouco contra corrente, numa rua por detrás da FIL, onde só existem restaurantes e o resistente Irish Pub.

O Lotus ocupa o espaço de esquina, com duas frentes vidradas e uma vista desafogada para o rio Tejo logo no piso térreo. No verão a esplanada convida a noites de conversa, mas a casa tem espaço para todo o ano, com o seu primeiro piso amplo e envidraçado e o seu peculiar palco, um nicho esculpido na escada que fica a meio caminho entre o primeiro e o segundo andar e permite aos clientes dos dois pisos usufruir dos espetáculos que são frequentes.

O Lotus pretende ser um bar de bairro, daqueles bares onde voltamos porque nos sentimos em casa e onde vamos num sábado à noite jantar com amigos ou numa segunda-feira ver uma apresentação de um livro, ou quem sabe a uma quarta-feira porque adoramos jazz e há uma banda nova a tocar.

O Lotus, flor que representa paz e prosperidade é também sinal da serenidade do local, onde há sempre música de fundo, mas espaço sonoro para se conversar e socializar.

Decorado de forma simples, com um aposta nas madeiras, nos veludos e nos cobres, o Lotus ganha amplitude pelas paredes envidraçadas, e pelas luzes da Ponte vasco da Gama a encher a noite. O espaço está aberto desde o meio dia e tem uma carta de comida, onde o prato rei é a Francesinha, ou não fosse Cesário, o dono do espaço, do norte. Há também uma especial atenção para o cocktail e para o serviço. Encheu-nos as medidas o sorriso de quem nos serviu à mesa e a simplicidade apaixonada como fomos recebidos. Um bar elegante, para quem gosta de noites faladas à mesa e bebidas com classe.

 

 

Cobre

Cobre é uma espaço amplo e crú, uma reminiscência da arquitetura industrial de Berlim e Nova Iorque lugares onde The Independente Collective foi beber inspiração. Instalado numa esquina da movimentada Rua do Alecrim, o Cobre mora no centro da agitação de Lisboa, mas quer ser um local calmo, por entre as suas enormes montras de vidro, as paredes nuas, os apontamentos de cobre e veludos da decoração. Do despojado betão sobressai o Cobre escrito em Neon vermelho esse detalhe enche o espaço de vida. O balcão de cobre fica à nossa esquerda logo à entrada e é aí que se cozinham as poções mágicas, Um El Pepe com Tequila e puré de pimento assado em jeito de aperitivo para acabar o dia, ou um Allentejo com ingredientes provenientes da margem sul,  xarope de alfazema, laranja e limão que se juntam ao Rum num cocktail para beber pela noite fora. No Cobre há música que viaja entre o jazz e o funk passando pelo eletronica. Por vezes há Dj ou música ao vivo. O espaço amplo convida a dançar, embora o Cobre não seja um Club e o que deseja é criar um espaço de descontração, onde o cocktail e a música se cruzem e sejam o cenário de momentos bem passados.

 

 

Uptown – Intercontinental Lisboa

O Uptown é um elegante bar de Hotel situado no topo do Parque Eduardo Sétimo, paredes meias com o icónico Ritz. Aberto no início do ano, o Bar do Intercontinental tem porta direta para a rua e quando se entra encontra-se um espaço que respira o ambiente dos bares clássicos, entre os veludos, os espelhos e as peles dos cadeirões, mas que abraçou a modernidade com os ecrãs no tecto que passam imagens coloridas e ritmadas, um pormenor que dá uma dimensão diferente ao espaço, mais frequentado pelos hóspedes do hotel. Mas o Uptown quer abrir cada vez mais as suas portas à cidade e tem por isso apostado numa programação cultural que inclui música ao vivo como o jazz & Blues  às quartas-feiras e DJ´s às sextas e sábados. O menu parece um catálogo de pantones, daqueles onde se escolhe a cor da tinta e debruça-se sob os espirituosos presentes nas prateleiras e os cocktails de autor. Os clássicos fazem-se a pedido, e a carta muda duas vezes por ano. Abel Fernandes é o maestro da casa e deixou-nos sentados ao balcão com um Absolutly Touch, um cocktail fresco que junta o Gin, à pera e ao manjericão. Balcão esse enfeitado de ervas frescas, perfumado de aromas de hortelã e alecrim.

 

 

Double 9

Descendo a Rua da Misericórdia encontramos o Double 9. Discreto do lado esquerdo e instalado no piso térreo do Hotel Merci, tem porta direta para a rua e quando lá entramos encontramos um espaço requintado, marcado pelo seu longo balcão, pelos sofás de veludo e pela “serpente” de luz que ondula no tecto. Double 9 é uma menção ao feng shui, o 9 simboliza o palco e no palco deste bar atuam dois atores, cada um na sua estação. O palco, ou o balcão, ocupa o centro da plateia e é a partir dele que toda a energia emana.

No Double 9 pode-se beber um dos blends exclusivos de chá, um cocktail de autor ou provar os petiscos da carta feita pelo Chef Joachim Koerper do Restaurante Eleven. O Double 9 é por isso um Gastrobar, um espaço de partilha à volta da mesa, onde se pode estender as noites para lá do jantar bebericando um cocktail ao ritmo da musica electro lounge enquanto Lisboa desce do Príncipe Real para o Cais do Sodré. Seja um Out of the Tea Pot ou um New Fashion, cocktails executados com perícia pela equipa da Liquid Consulting, seja um clássico. Seja qual for a sua escolha, mantenha os olhos no palco, vai ver magia a acontecer.

Fomos recebidos com um menu em renovação que vai chegar mesmo a tempo do primeiro aniversário da casa, e pelo pitoresco pato amarelo, a mascote que destoa do ambiente requintado e urbano que decora o espaço, mas que nos coloca um sorriso no rosto. E não é isso que procuramos quando vamos a um bar?

Neste mundo de fusão entre os aromas e sabores de chá e de cocktails, entre o espaço cozy, mas movimentado, entre a velha rua da cidade antiga e a modernidade das vidas que por ali passam, o Double 9 é um dos locais mais ecléticos da cidade.

 

 

45 São Bento

 

O 45 São Bento situa-se para lá da zona que ferve na cidade, está quase incógnito numa rua tranquila, onde as ruas se enchem mais durante o dia do que durante a noite. O espaço abriu as portas em abril e continua ainda a procurar a sua própria personalidade, a crescer com as dificuldades dos projetos que escolhem sair do mainstream, que escolhem localizações diferentes e conceitos divergentes. O 45 São Bento é um bar de cocktails, quer que o seu público consuma bebidas de qualidade, mas também é um local para se ouvir boa música, daquela que faz abanar a anca pela noite fora. Trouxe para isso a curadoria de Trol2000 que tem ajudado a construir uma programação que navega entre o house e o funk, a soul e as músicas do mundo africano. Às quintas, sextas e sábados há DJ e ao terceiro domingo de cada mês a casa abre portas para exposições e eventos de carácter cultural.

O bar espalha-se por três salas decoradas de forma minimalista, mas com um gosto pelos móveis retro e objetos de arte neopop.

Lara Esteves é a Bartender de serviço e guiou-nos pelo menu que tem uma escolha diversificada. Provámos um Apple Port Connection que juntou o puré de maçã ao vinho do Porto numa bebida muito equilibrada. E deixamo-nos ficar a ouvir a música ritmada enquanto a casa se ia movimentando e crescendo com o alongar da noite.

O 45 São Bento não é um bar de multidões, mas pode bem vir a ser um bar de culto.

 

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