Quando pensamos em rums, o mais natural é a nossa mente nos transportar automaticamente para o paraíso das Caraíbas, países como a Jamaica onde se produz o rum Appleton Estate, Cuba, onde se produz o rum Havana Club ou Santa Lúcia onde se produz o rum Chairman’s, no entanto, bem mais perto de nós, temos um produto português de qualidade reconhecida internacionalmente que merece toda a nossa atenção.

Recentemente estive na ilha da Madeira para participar na 2ª Edição do Festival do Rum da Madeira, este foi o segundo ano consecutivo que estive presente no Festival, onde tive a oportunidade de visitar os cinco Engenhos que produzem Rum da Madeira e provar o que de melhor se faz na ilha, incluindo alguns lotes de rum que ainda não estão disponíveis no mercado.

Quando falo de Rum da Madeira, devemos ter em conta que todo o Rum produzido na Madeira presentemente é rum agrícola, portanto um destilado da fermentação do sumo da cana de acúcar, obtendo assim, um rum bastante fresco, com sabor a cana de acúcar e notas mais vegetais.

Escolher 5 rums da ampla variedade que provei não foi tarefa fácil, até porque, embora sejam todos produzidos na ilha da Madeira, cada engenho produz rums bastante distintos uns dos outros, porém nesta seleção de rums apresento os que melhor se destacaram entre todos os que provei.

O Reizinho

É a marca produzida artesanalmente na residência da família Ferreira em Santa Cruz. Nesta seleção apresenta-se como o “rum branco” de escolha.

Um rum bastante fresco, de personalidade vincada, com aroma doce de cana e bastante intenso. O teor alcoólico de engarrafamento é de 50%, no entanto numa prova cega seria difícil de o apontar, está bem equilibrado e suave, não provoca ardor ao beber.

Embora possa ser apreciado por si só ou com um bom cubo de gelo por afficionados do rum, idealmente é um rum para misturar, tanto na tradicional poncha madeirense como noutros cocktails no geral.

*Na visita que fiz este ano, já foi possível provar um rum envelhecido de 3 anos mas de momento ainda não está disponível no mercado.

 

William Hinton 9 Meses

William Hinton é a marca produzida pelo Engenho Novo da Madeira no Parque Industrial da Calheta.

O rum de nove meses, é um rum ainda bastante novo mas o repouso nos barris de carvalho confere-lhe uma cor palha ao mesmo tempo que o amacia e adiciona notas de madeira.

Devido à falta de maturidade este rum não é uma primeira escolha no que diz respeito a beber por si só, mas o facto de ter alguma influência da madeira mantendo o seu carácter enquanto jovem, faz deste um rum muito interessante para trabalhar em cocktails e é o meu favorito para um Madeira Daiquiri.

 

William Hinton 6 Anos

Esta é mais uma referência do Engenho Novo da Madeira, uma das  últimas que foi lançada no mercado, ainda não estava disponível quando lá estive, no ano passado.

O William Hinton produz uma gama de 5 Single Cask Rums, que numa fase final envelhecem por mais um ano em cascos de “Whiskey”, “Brandy”, “Spanish Fortified Wine”, “Portuguese Fortified Wine” e “Madeira” oferecendo assim 5 referências com caracteristiscas distintas e bastante interessantes de explorar. Esta referência envelheceu por 6 anos em barricas de carvalho francês e mais um ano nas barricas mencionadas em cima, deixando por fim a liberdade de escolha à mestria de Celso Olim para chegar a um blend final. Do meu ponto de vista, da gama William Hinton, este será o rum mais concensual, o mais bem equilibrado, um rum fantástico para ser apreciado por si só ou em cocktails elegantes de poucos ingredientes onde possa expressar a sua complexidade, como o Rum Manhattan ou o Rum Old Fashioned.

 

970 Produção 2006

Este rum é produzido pelo Engenhos do Norte que está localizado junto ao mar na região de Porto da Cruz. Esta é uma das destilarias que está aberta ao público e que durante a altura de produção recebe imensas visitas de curiosos que saiem de lá a saber tudo sobre o processo de produção do rum.

Os Engenhos do Norte produzem outros rums de excelente qualidade e são os produtores da famosa referência “Branca”, no entanto este vintage de 2006 foi o que eu trouxe no coração e na bagagem. Este néctar foi produzido em 2006 e posteriormente envelhecido em cascos de carvalho por um período de 10 anos até ser engarrafado em 2016. Deste lote foram apenas engarrafadas 600 garrafas e embora ainda possam ser encontradas em algumas lojas da especialidade, a sua extrema qualidade e pequeno volume de produção faz com que essa não seja uma tarefa fácil.

Para ser apreciado por si só ou como parceiro de um bom charuto.

 

Rum 18 Anos

Este rum ainda não tem marca e ainda não está engarrafado, mas pode passar a estar a qualquer momento. Pertence à família Fernandes, a qual reside no Porto da Cruz onde produz artesanalmente o seu rum desde 1982.

O Sr. Abel Fernandes, é um homem com 83 anos e conta com a experiência de ter trabalhado em todos os outros Engenhos até que decidiu produzir o seu próprio rum acreditando que podia criar algo ainda melhor e ainda bem que o fez! Hoje em dia a família Fernandes luta para reaver o nome da marca e os lotes que provámos com 3, 6, 18 e 24 anos, estão ainda por engarrafar.

O rum de 18 anos apresenta-se com 52º alcoólicos, é bastante rico e complexo, é um rum que precisa de ser arejado e que vai evoluindo no copo se não formos gulosos e o bebermos rápidamente.

Para ser apreciado lentamente num copo de balão extra large, enquando pomos a conversa em dia com aquele amigo com quem não falamos à já algum tempo.