Lisboa está nas bocas do mundo. Seja pela luz singular, pela arquitetura ou pelo bem receber português ao qual nenhum turista fica indiferente, a capital portuguesa é visitada por milhares de pessoas todos os anos. A nossa gastronomia, os bons vinhos e a animada vida noturna são também fatores importantes e na cidade a oferta de espaços únicos e especiais, clássicos, contemporâneos ou alternativos não pára de crescer.

A Drinks Diary empenhou-se na tarefa hercúlea de fazer um city guide completo de Lisboa, mas não há espaço nem tempo.  Tivemos por isso de dividir estas sugestões por categorias e começámos nesta edição com 9 bares de Cocktails onde não pode deixar de ir!

PENSÃO AMOR

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A Pensão Amor vive nas paredes de velhas pensões que alugavam quartos à hora. A cada novo espaço visualizamos o que foi um bordel desses que havia nos portos das grandes cidades. Casas de má vida, dos boémios de passagem e dos que cá viviam. Desses tempos sobrou a decoração burlesca, os veludos e um erotismo latente nas salas, que antes foram quartos e hoje são salas de estar, de dançar, de ler, de beber cocktails ou até mesmo de ler a sina.

Para a Pensão Amor tanto se pode entrar pela Rua Cor de Rosa como pela Rua do Alecrim. São perspetivas diferentes, recomendamos que explore as duas portas. Se pela Rua do Alecrim se entra por uma pequena varanda, com bar ao fundo e ao início da noite há quem nos receba à porta, pela rua Cor de Rosa podemos subir as velhas escadas e apreciar as ilustrações de Mário Belém, inspiradas em antigos cartazes de Cabaret. O espaço em si é compartimentado, como numa casa, são salas que se sucedem e que têm auras diferentes, umas mais intimistas e escuras, outras mais alegres e luminosas. Na Pensão Amor convivem vários projetos, espalhados pelos quartos. Podemos sentar-nos na biblioteca e remexer no acervo de literatura erótica, passar à sala seguinte e pedir que nos leiam a sina ou simplesmente sentar num dos muitos sofás rocambolescos e ouvir o que o DJ escolheu para essa noite.

Há frequentemente programação gratuita. Pode chegar e encontrar um espetáculo de Voix de Vile, fazer um workshop de Pole Dance ou ver fazer quem sabe. Na primeira quarta-feira do mês há sempre Show Burlesco e regularmente lançamento de livros, exposições ou música ao vivo. Há uma carta variada de cocktails, assinada pelo Bartender Bruno Jesus Pereira, que vão desdes os clássicos, os vintage, passando pelos cocktails de autor até aos mocktails.

Se quiser sentar-se e apreciar um cocktail com calma aconselhamos que vá ao inicio da noite, se quiser dançar entre uma multidão multicultural e sem idade, vá um pouco mais tarde. Mas não deixe de ir, porque a Pensão Amor é um “Good Vibe Bar” que vale a pena visitar!

O BOM O MAU E O VILÃO

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Bom o Mau e o Vilão fica na Rua do Alecrim. É uma antiga casa transformada em bar onde se respira um ambiente cinematográfico, em salas com uma decoração clean mas artística de onde a qualquer momento pode sair um cowboy a assobiar.

A banda sonora é “Tarantinesca” e acompanha-nos pelas salas da casa. E como numa casa, cada local tem a sua aura e faz-nos sentir de forma diferente. A sala de fumo, o piano de cauda, o bar redondo, a arte espalhada pelas paredes. Neste bar cada espaço é uma instalação artística e a programação eclética que vai desde os concertos às sessões de cinema lembra-nos que O Bom, o Mau e o Vilão é uma espaço para viver experiências. A programação é responsabilidade da Void Creations e é uma referência na cena Independente em Lisboa.

Normalmente há DJ de serviço, e é normal a sala dos fundos se transformar em pista de dança nas noites mais movimentadas. Na carta de bar há espaço para 20 Gins e uma boa seleção de cocktails. Mas também há petiscos e vinho.

4 CARAVELAS

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Chegando à Rua Cor de Rosa como quem vem do Largo de São Paulo encontramos o 4 Caravelas no lado direito, mesmo em frente à La Puttana. Aberto desde junho de 2015 é uma sala ampla onde se liga Portugal à Austrália via mar de cocktails e boa disposição.

Marcus é australiano e Tânia portuguesa, conheceram-se em Londres e quando visitaram Portugal decidiram que era aqui que tinham de montar o seu bar. O 4 Caravelas é um bar dedicado aos descobrimentos portugueses, com especial atenção à teoria que afirma que foram os portugueses os primeiros a cartografar a costa da Austrália.  As madeiras e os motivos náuticos são o mote da decoração, mas o espaço é easy going, desde a sua montra com vista para a rua, passando pela parede cheia de mensagens escritas pelos clientes podemos perceber que o 4 Caravelas é um espaço feito com carinho pelos mentores e vivido com entusiasmo pelos clientes que regularmente voltam.  Marcus é o maestro que orienta a carta de cocktails, que é variada e se apresenta num bonito mapa em  papel de aparência envelhecida, dentro de um pote de vidro, como uma mensagem na garrafa. O som é mexido, dance music dos anos 90 o espaço promete muita animação para as noites de fim de semana, visto que há espaço para dançar.

PAVILHÃO CHINÊS

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O Pavilhão Chinês é uma casa emblemática de Lisboa para quem aprecia cocktails. Aberta desde 1986 num espaço que era uma antiga mercearia. São 5 salas repletas de objetos de coleção que vão desde soldadinhos de chumbo a capacetes militares, medalhas, miniaturas de comboios, peças de Bordalo Pinheiro….não iríamos parar de enumerar!

Descendo do Príncipe Real para o Miradouro de São Pedro de Alcântara encontramos o Pavilhão Chinês à nossa direita. É uma entrada discreta para um mundo atafulhado de antiguidades que nos captam a atenção a todo o momento. A paixão pelo colecionismo do proprietário é latente na profusão de objetos nas prateleiras que forram as paredes do espaço. O bar divide-se em 5 salas, umas mais amplas demasiado iluminadas como a sala onde está a mesa de snooker, outras mais acolhedoras e intimistas. O ambiente é formal e os bartenders estão vestidos a rigor.

A carta de bar é uma bonita edição com imagens vintage, muito anos 20 que no fundo é também um elemento da decoração. Para além da vasta sugestão de cocktails, o Pavilhão Chinês tem uma coleção de chás capaz de envergonhar muitas cafetarias. Se sofrer de claustrofobia recomendamos que fique pelas primeiras salas, porque o espaço é fechado e muito cheio, a ventilação é um problema principalmente na sala de fumo. A decoração dos cocktails é old fashion e dá um toque kistch a um espaço incontornável da cultura de cocktail na capital.

 

FOXTROT

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O Foxtrot é um pub inglês mesmo no centro de Lisboa. É um dos bares de cocktails mais antigos da capital, aberto há mais de 37 anos, situa-se na zona de São Bento, e tem espaço para todos, para os que querem beber um copo depois do trabalho, para quem precisa de uma refeição depois das 2h da manhã ou simplesmente para quem queira sentar-se num ambiente descontraído com os amigos e passar um bom bocado.

Visitámos o Foxtrot num dia de inverno, havia lareira acesa e o ambiente era quente e acolhedor. Os clientes espalhavam-se pelas 4 salas de forma harmoniosa. Ouvia-se jazz e jogava-se snooker na sala de jogos onde se pode fumar. Sala boémia que pode não agradar aos menos tolerantes ao fumo do tabaco. O jardim estava solitário devido à chuva, mas podemos ver que deve ser um espaço amado nas noites de verão. Da decoração sobressaem as madeiras e as imagens vintage que nos envolvem num imaginário das primeiras décadas do século passado, quando efetivamente se dançava o Foxtrot. O Foxtrot serve refeições até às 3h da manhã e tem uma carta de bar onde o cocktail é rei. De notar que os cocktails de autor são inspirados em Lisboa por isso os seus nomes passam pelos pontos turísticos de referência na cidade. À porta temos um vallet vestido a rigor que a pedido nos arruma o carro, num serviço especial que não se encontra em muitos bares.

RED FROG

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Descendo a Rua do Salitre a caminho da Avenida da Liberdade ninguém diria que há ali um bar. Podemos nos questionar sobre o que faz o sapo vermelho na parede depois da farmácia, mas é tudo. E é também essa a ideia, porque o Red Frog é um Speakeasy Bar e é suposto ser difícil de encontrar.

O conceito remete-nos para os anos 20 do século passado e para a Prohibition nos E.U.A. quando a venda e o consumo de álcool foi proibido e os locais de venda e consumo ilegal estavam camuflados. Mas o Red Frog é um encontro de mundos, e apesar do tema da Prohibition ser predominante na decoração e no ambiente há também uma nuance intrinsecamente boémia lisbonense e da corrente Tiki. A ideia era criar um espaço onde os boémios se reunissem para beber e conversar pela noite a dentro, um espaço calmo onde a música permitisse tal interação. O Tiki é insinuado no nome, que segundo Paulo Gomes, Head Bartender, foi algo difícil de encontrar, tal como são os pequenos sapos vermelhos que vivem no Panamá e dão nome à casa. O Red Frog é venenoso, só aparece à noite e tal como o Speakeasy é difícil de encontrar! São também Tiki alguns dos cocktails que constam do menu, e como afirma Paulo Gomes “Os Cocktails são o sangue do Red Frog”. Apesar da juventude do espaço este é já o segundo menu que aposta em bebidas de autor com produtos de qualidade, espirituosos premium

e ingredientes nacionais e frescos. Dos 17 cocktails que compõe o menu podemos destacar o American Gangster, o Red Potion ou o Midnight Smuggler´s.

Para entrar, toque à campainha e fale baixinho.

 

CINCO LOUNGE

Cinco Lounge

Cinco Lounge

O Cinco Lounge é uma sala de estar ampla que se estende em frente ao bar, que imponente rege o espaço que vive numa luz fosca, embrulhado em veludos e em detalhes que dão alma à casa.

Temos de descer a Rua do Jasmim, vindos do Jardim do Príncipe Real para o encontrar à nossa esquerda numa rua transversal. O Cinco Lounge está alojado na base de um edifício residencial. Aberto desde 2004, o Cinco Lounge é uma referência para os apreciadores de cocktails em Portugal. O seu ambiente descontraído e a qualidade das bebidas são o cartão de visita de um espaço que é visitado por portugueses e turistas.

No espaço vive-se um ambiente intimista, com sofás e puffs, a luz fraca e música ambiente. Sentimo-nos em casa e apaparicados por uma equipa de Bartenders que são mestres na arte de bem receber, ou não fosse o maestro desta banda David Palethorpe, uma referência no setor em Portugal. Há cocktails para todos os gostos e todas as carteiras, e a seleção de bebidas que podemos encontrar nas prateleiras do bar é variada e de qualidade.

O Cinco Lounge é um elogio da noite e como tal é um bar para fumadores, está preparado para isso com uma boa ventilação, mas se não suporta tabaco este não é o seu lugar.

A PARÓDIA

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Vindos da Rua Ferreira Borges como quem desce para a Basílica da Estrela, encontramos à nossa direita a Rua do Patrocínio. Nesta descida inclinada, uma rua de bairro, encontramos o Paródia entre o Cemitério Alemão e a Igreja Alemã Católica.

Aberto a 27 de abril de 1974, apenas dois dias após a revolução, o Paródia é o primeiro dos quatro bares idealizados por Luís Pinto Coelho. Aquilo que começou por ser uma loja de antiguidades e ponto de encontro entre amigos evoluiu para um bar que é também uma homenagem à obra de Raphael Bordalo Pinheiro e à revista de sátira do início do século XIX, A Paródia. Surgindo num momento de grande agitação social e política, o bar afirmou-se como republicano e era visitado por personalidades de esquerda revolucionária e da direita temente. Hoje em dia é um pequeno espaço, revestido de veludos vermelhos e objetos antigos, muitas referências a Bordalo Pinheiro e à sua revista de sátira politica e social. Ouve-se um jazz antigo e baixinho, que lembra a boémia dos anos loucos anos 20.  A clientela fala várias línguas, há cocktails e vinho a copo e ocasionalmente o bar acolhe eventos musicais, leitura de poesia e outros. Fuma-se no espaço, que é pequeno e pouco arejado. A visita vale por essa sensação de que estamos a entrar numa bolha do tempo, e ainda fervilham por ali pensamentos que podem mudar a nação.

PROCÓPIO

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Aberto desde 1972, o Procópio é um espaço intimamente ligado à história da Liberdade em Portugal. Local meio escondido num beco para lá do jardim das Amoreiras, conta-se que se juntavam ali republicanos para conspirar e planear a queda do Regime.

É o único dos quatro bares idealizados por Luís Pinto Coelho, que se mantém na família do decorador que deixou como legado à cidade, o Pavilhão Chinês, o Foxtrot, A Paródia e este Procópio.

O espaço é familiar e colhedor. Toca-se à campainha, na porta ladeada por um enleio florido, e entra-se para a sala ampla e decorada com pesados painéis de madeira, chão de alcatifa vermelha e sofás. Candeeiros de mesa antigos iluminam de forma parca o espaço o que lhe dá uma atmosfera intimista.

Somos atendidos pelo senhor Luís que parece conhecer o espaço e a dinâmica das suas 12 meses de olhos fechados. E essa graciosidade do servir, ganha nos 19 anos de casa, reflete-se num serviço rápido e atencioso que nos dá vontade de voltar.

A carta de cocktail chega num antiga tábua de madeira que se abre em três partes, como uma janela. Todos os cocktails custam 8€ e o bar foi eleito por uma conhecida marca de cerveja como sendo o espaço com a melhor imperial da cidade. Para a mesa vêm invariavelmente a taça de pipocas e há sandes e tostas para petiscar. O som estava demasiado baixo para chegar a ser ambiente, embora se fume no espaço este manteve-se de veras arejado.

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