A tendência do momento é a sustentabilidade em todas as áreas da nossa vida e o mundo do bar não é indiferente a esta realidade. Se por um lado se investe tanto na procura de ingredientes mais saudáveis e de produção local, por outro a atividade continua a ser responsável por um grande número de resíduos desnecessários, e um deles é a praga de palhinhas de plástico.

A guerra a este utensílio já está declarada há algum tempo, empresas como a Pernod Ricard declaram ter planos para reduzir o seu desperdício até 2020, a que se seguiu a Diageo que veio afirmar que ao banir as palhinhas estava apenas a iniciar um plano de redução de uso de plástico no geral, olhando também para as embalagens. A Bacardi já havia aberto caminho para eliminar as palhinhas em março de 2016 quando baniu as palhinhas dos seus eventos, uma iniciativa que fez parte da campanha “Good Spirited: Building a Sustainable Future”.

No Reino Unido este é já um movimento com relevo e que integra vários setores da sociedade, logo no início de 2018 surgiu a proposta para a criação de uma taxa para o uso de copos de café descartáveis e uma semana mais tarde o governo comprometeu-se a eliminar todo o plástico usado desnecessariamente até 2042. Na Escócia, a campanha “The Final Straw” surgiu e veio pedir aos bares e restaurantes que tomem medidas para banir as palhinhas de plástico do país. Os jornais The Evening Standard e o The Sunday Mail juntaram-se à campanha alargando assim o público a que chega a mensagem.

Não é de estranhar por isso que sejam cada vez mais os bares a procurarem soluções e a retirarem as palhinhas dos seus cocktails, trocando-as por palhinhas biodegradáveis de papel, versões em bambu ou até mesmo de metal.

Mas porque é que deixar de usar palhinhas de plástico é tão importante, não é apenas uma palhinha?

O facto é que as palhinhas de plástico são usadas apenas uma vez e deitadas fora. Só nos E.U.A. e no Reino Unido são deitadas fora cerca de 550 milhões de palhinhas por dia. Temos de ter em conta que uma palhinha de plástico não reciclada existirá no planeta nos próximos 200 anos e que a sua desintegração em pequenas partículas de plástico tóxico é perigosa para os animais, principalmente para os que habitam os nossos oceanos, onde gigantescas ilhas de resíduos de plástico se estão a formar.

A ação pode partir do cliente que pode indicar não querer palhinha na sua bebida, mas se cada espaço implementar uma nova política em relação a este utensílio será mais fácil de mudar comportamentos.

O movimento está lançado, mas em Portugal ainda não tem a mesma expressão que está a ter em lugares como Reino Unido. No entanto, a sustentabilidade é uma tendência que está a invadir os espaços e cremos que também a guerra às palhinhas será uma realidade muito em breve.