É sombrio o semblante da Adega Velha, meio enterrada na terra, de granito imponente e virada a norte. O sol mal lhe toca e talvez seja esse o segredo da aguardente que envelhece entre-paredes, sem pressas nem artifícios. Só a penumbra, as paredes de granito e o carvalho francês, juntos por anos a fio.

A Quinta da Aveleda não é, no entanto, um espaço sombrio. Pelo contrário é um jardim romântico pintado de verde profundo e duradouro que tem vindo a crescer acompanhando várias gerações da família Guedes.

A bandeira da casa tem sido o vinho verde, o segundo produto vitivinícola português mais exportado a seguir ao vinho do Porto. As suas marcas Casal Garcia e Quinta da Aveleda são uma quota parte muito grande do sucesso deste particular vinho português.

A história conta que em 1939 o enólogo francês Eugéne Hélisse interrompeu a viagem de comboio que o levava do Douro para o Porto porque ficou fascinado com as vinhas da Quinta da Aveleda. Apeou-se e foi falar com Roberto Guedes, um dos proprietários. Foi um entendimento à primeira vista que deu frutos logo nessa vindima. Foi 1939 o ano de arranque do Casal Garcia, um dos Vinhos Verdes mais vendidos no mundo cujo rótulo azul rendilhado é já um clássico. Foi o início de uma história que já tem quase oito décadas e que colocou a Quinta da Aveleda como um dos principais players na produção de vinho branco em Portugal.

adega velha aveleda

 

Adega Velha “É muito boa, mas não é um Conhaque!”

Conta-nos António Guedes à mesa quando começou a contar a história da aguardente Adega Velha, aquando do lançamento da nova gama para o mercado. Depois de encontrar uns barris perdidos na adega fruto de experiências anteriores, mandou-se analisar uma amostra em Cognac, na região francesa especialista na matéria. Os técnicos por despeito, não querendo reconhecer a qualidade do que tinha sido feito em Portugal exclamaram que sim, era boa. Mas não chegava a ser um Cognac. Nem se queria que fosse. A personalidade dos vinhos verdes e da Quinta da Aveleda marcariam o Adega Velha nas décadas a seguir. Estávamos no início dos anos 70 do século passado, continuou-se a fazer experiências na quinta e quando a ideia estava finalmente maturada a família foi a França buscar um Alambique Charentais onde ainda hoje destila aquilo que virá a ser a Aguardente Adega Velha. António Guedes contou-nos com um sorriso que a primeira edição da Adega Velha teve tanto sucesso que desapareceu num ápice. “Cheguei a receber telefonemas de gabinetes do Governo a pedir uma garrafa porque iam ter uma reunião importante. Mas simplesmente não havia mais.”

A Garrafa que veio da Rússia

Quando entramos na Adega Velha encontramos, num local central, uma vitrine com duas garrafas. Uma é a antiga garrafa que inspirou a atual garrafa da Adega Velha e a outra é a primeira edição produzida nos anos 70.

Reza a tradição familiar que a garrafa que inspirou a atual garrafa da aguardente Adega Velha foi trazida para Portugal no final do século XVIII por um antepassado da família Guedes que desempenhou um cargo Diplomático na Rússia.

A garrafa era elegante e despertoulhe admiração. Décadas mais tarde a garrafa foi oferecida a Manuel Pedro Guedes.

O fundador da Aveleda conservou-a, prometendo usá-la para quando criasse um produto especial. Estavase em 1870 e o projeto estava ainda a começar com as primeiras vindimas. A Aguardente Adega Velha é assim uma dupla homenagem aos antepassados. Por carregar o nome da Adega erguida há tantas décadas e por finalmente ser digna do legado familiar e encher a garrafa guardada por quase dois séculos.

 

Nova Gama da Aguardente Adega Velha: 6 anos, 12 anos XO e 30 anos.

A QuintGama-Adega-Velha-compressora da Aveleda, após alguns anos de interregno, lançou nova gama de Aguardentes Adega Velha. O alargamento da gama e também uma renovação da imagem vai de encontro à vontade da Quinta da Aveleda de aproximar o produto ao seu consumidor, ao mesmo tempo que cativa consumidores mais jovens. A Adega Velha 6 Reserva é o resultado do loteamento de aguardentes com uma média de 6 anos de envelhecimento em cascos de carvalho francês da região de Limousin. Apresenta uma cor dourada, aspeto límpido e um bouquet jovem e harmonioso. Encontramos notas tostadas de café e frutos secos envolvidos numa sensação suave de aroma a madeira. Sai para o mercado com o PVP. de 25€ e com a produção estimada em 25.000 garrafas de 0,50l. A Adega Velha 12 XO é uma aguardente que apresenta uma cor âmbar intensa e um aroma complexo e rico de onde se destacam bagas e frutos secos. Somos envolvidos por uma sensação delicada pelo aroma e o travo a madeira nobre. Tem uma textura densa e aveludada e um final longo e persistente. É lançada com o PVP. de 40€ com uma produção estimada de 25.000 garrafas de 0,50l. A joia da coroa é a Adega Velha 30 anos. Apresenta uma cor brilhante com uma tonalidade topázio e um aroma fino e puro resultado da estadia de 30 anos na penumbra das paredes grossas da Adega Velha. É uma aguardente em que o álcool está bem integrado com os aromas abaunilhados, de bolo inglês e casca de laranja tudo envolvido numa sensação delicada de madeira. A edição da Adega Velha 30 anos é limitada a 200 garrafas de 0,50l e tem o PVP. De 100€.

 

O que é um Alambique Charentais

DAlambiqueesenvolvido na região de Cognac, em França, no início do século XVII, o Alambique Charentais surgiu para destilar os vinhos brancos bastante ácidos da região de Charente e assim produzir Brandy.

A sua popularidade advém da sua eficácia, uma vez que consegue fazer a dupla destilação num período de 24 horas e obter um destilado com um grau de pureza muito alto. Coisa que outros modelos apenas conseguem à terceira ou quarta destilação. Produzido em cobre, o Alambique Charentais é uma peça elegante, possui vários potes abobadados sendo que um deles tem a peculiar forma de uma cebola.

Como funciona o Alambique Charentais:

O vinho é colocado no pote (aquecedor), que é aquecido pelo forno por debaixo, quer seja a lenha ou numa versão mais moderna, a gás. Quando entra em ebulição, os vapores alcoólicos sobem para o recipiente de condensação através do pescoço de cisne.

Quando se termina a destilação do vinho que se encontra no pote, transfere-se o líquido resultante da primeira destilação para o pote através de um tubo existente. Inicia-se uma segunda destilação. É por esta razão que o Alambique Charentais é conhecido como sistema de destilação contínuo.

O destilado resultante da destilação, o “brouillis”, volta para o pote com o intuito de realizar uma destilação final e obter o chamado “bonne chauffe”, o qual é posteriormente armazenado em barris de carvalho para adquirir cor, sabor, reduzir o nível alcoólico do espírito e suaviza-lo.

 

Vinho verde

É um vinho unicamente produzido no Minho, uma região a noroeste de Portugal. As suas características foram protegidas pela Denominação de Origem Controla logo em 1908 e a Região Demarcada dos Vinhos Verdes é por si só uma das 14 regiões vitivinícolas de Portugal. É um vinho fresco e leve, com elevada acidez natural e baixo teor alcoólico o que o torna fácil de beber. É um vinho que facilmente se bebe como aperitivo ou a acompanhar refeições leves como saladas, peixes pouco condimentados ou mariscos.

O vinho verde mais conhecido é o vinho branco, mas podemos encontrar vinho verde tinto, rosé e até mesmo espumante. Por ser uma região em que o vinho tem um baixo teor alcoólico fazem-se aqui boas aguardentes também. As castas mais usadas nos brancos são o Alvarinho, o Loureiro, o Arinto, a Trajadura e o Avesso. Já os tintos são maioritariamente feitos com Vinhão ou Espadeiro.

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