Sempre que nos cruzamos com David Coelho percebemos que sabemos muito pouco sobre o café que bebemos. Não só nos sobrestimamos enquanto consumidores de café, como achamos que a nossa bica é bem capaz de ser o melhor café do mundo, quando na verdade pouco sabemos desta matéria prima que é uma das mais transacionadas internacionalmente.

A conversa sobre café veio a propósito do encontro promovido pela AICC, esta quinta-feira, no Salão Nobre da Confederação Empresarial de Portugal. David Coelho, Bicampeão do Campeonato Nacional de Baristas, foi convidado a recriar, para o público presente, o ambiente de campeonato e a explicar os itens de avaliação rigorosa a que são submetidos os concorrentes no Campeonato Mundial de Baristas, que este ano irá decorrer de 22 a 25 de junho de 2016, em Dublin, Irlanda.

A prova de cada concorrente tem a duração de 15 minutos em que cada um terá de tirar quatro cafés expressos perfeitos, 4 cappuccinos e 4 bebidas de autor. Durante a prova cada movimento é meticulosamente avaliado pelo júri. A limpeza do espaço, os gestos técnicos ou o conhecimento sobre o café escolhido são pontos de avaliação que se juntam depois à avaliação sensorial que o júri de 4 elementos fará das bebidas.

Realmente o café é uma bebida que faz parte do nosso quotidiano, mas que continua envolto em mitos e mal-DSC02558entendidos. E este que era para ser um encontro de demonstração de técnicas, acabou por ser uma animada conversa à volta do café.

Cada um de nós tem a sua mania no que toca ao café. Há quem beba curto, pingado, cheio, em caneca escaldada, com ou sem açúcar ou peça um descafeinado. Quem queira um carioca achando que está a pedir um café com menos cafeina, quando na verdade não está.

Há ainda uma série de mitos relacionados com os efeitos do café na saúde que urge serem desmitificados.

Mas o café é um mundo apaixonante, comparável ao mundo do vinho, com todas as subtilezas de sabor e aroma que advém do país que os produz, da altitude, do clima, das varietais usadas e posteriormente de técnicas como a torrefação, a moagem e a extração.

Apesar de quase todos nós bebermos café diariamente, o nosso conhecimento do produto é reduzido e quando nos confrontamos com os cafés de especialidade é um choque para o palato, mas também porque altera a nossa percepção de um gesto que vemos fazer todos os dias. Afinal o café não está queimado porque a máquina está mal regulada, provavelmente o porta-filtros não foi bem limpo, o café bem prensado ou a qualidade do produto era inferior. As questões técnicas são muitas e o esclarecimento de quem tira cafés, pouco.

Começam agora a aparecer no país cafetarias que que se preocupam com a qualidade do café que servem, no entanto a resistência que encontram no cliente português é de duas ordens, não só um café de especialidade é mais caro, como muitas vezes estranho ao nosso palato acostumado a cafés extraídos de blends maioritariamente constituídos por variedades de robusta, um café mais doce e com menor acidez. Mas mais barato e de menor qualidade.

Temos também o hábito de beber café expresso e descuidamos outras formas de extração do café, que nos podem revelar outras qualidades de uma bebida que é bem mais versátil do que estávamos à espera.

Afinal não sabemos que andamos a beber mau café, até que bebemos um bom. Esperamos que à semelhança do que se passa em outros países europeus comecem a surgir em Portugal mais locais onde se possa provar café e que a figura do Barista se torne um elemento presente nas nossas cafetarias.

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