Drinks Diary: O que significa para ti o “Dia da Mulher”?

Essencialmente, considero o dia da mulher um marco histórico, em que simboliza a afirmação do papel das mulheres na sociedade. Hoje em dia, pelo menos na Europa, a sociedade mostra-se mais igualitária entre os sexos e já não é clichê ver a mulher a realizar os ditos “trabalhos de homem”. Como é o caso da área onde trabalho.

Drinks Diary: É quase um cliché dizer que o Bar é um mundo de Homens, mas os números não mentem e as mulheres continuam a ser uma minoria. Porque achas que isso acontece?

Penso que é uma questão de tempo até as mulheres se igualarem aos números de ativos do sexo masculino. Obviamente temos de considerar a linha histórica, a afirmação da mulher aconteceu no final do século XIX, nos EUA, daí para cá o mundo mudou muito, no entanto temos de respeitar o tempo.

Ainda assim, considero que cada vez mais se abrem novas oportunidades na área e torna-se mais fácil entrar neste mercado que hoje está aberto a todos.

Drinks Diary: Já te aconteceu alguma situação caricata atrás do bar, que achas que não teria acontecido se fosses um Homem?

Efetivamente, já tive algumas situações caricatas, desde convites a declarações, que penso que não aconteceriam, tão facilmente com a presença de um homem no bar.

Lembro me particularmente de uma situação em que tive de “fugir” de um hóspede. Já tinha o bar fechado e o senhor, após ter passado a noite inteira no balcão, continuava insistentemente à minha procura. Inicialmente foi um pouco assustador, porque chamava pelo meu nome e de facto procurou-me por todo o hotel. Hoje em dia, riu-me da situação e já estou mais prevenida.

Drinks Diary: Ser mulher e trabalhar “na noite”. Existe ou não um estigma social em relação a isso?

Sinceramente, acho que ainda existe. Passei por isso quando comecei a trabalhar, à noite, num bar discoteca. Daí considerar que existe um estigma e considero que vêm das gerações mais velhas.

Drinks Diary: Enquanto profissional sentes que és valorizada pelos teus pares?

Sinto-me muito confortável, todos nós valorizamos o trabalho do outro, e sinceramente não identifico qualquer estigma. Já trabalhei em equipas mistas, neste momento trabalho só com homens e noto um carinho por parte de todos e sem dúvida uma óptima abertura, o que torna tudo mais fácil.

Drinks Diary: Como é que o “mundo do bar” surgiu na tua vida?

O bar surgiu “por acaso” na minha vida. Estudava arquitectura durante o dia e arranjei trabalho num bar discoteca à noite, o que me permitia mais meios financeiros para sustentar o curso.

Sempre estive muito focada no que queria seguir, até aparecer o “mundo do bar”. Tudo me fascinou, principalmente a possibilidade de poder criar. Algo que sempre gostei de fazer.

É, sem dúvida, muito carinho e orgulho de ser “mulher” que abraço o “mundo do bar”.

Drinks Diary: Na tua opinião, de que forma é que a indústria de bebidas pode tornar-se mais inclusiva para as mulheres?

Acho que ainda não foram criadas as melhores condições para promover as mulheres e o seu trabalho aliado à indústria.

Existem há alguns anos, ótimas profissionais no ramo, seria gratificante ver alguma projeção das mesmas na indústria. Com isto, poderíamos incentivar o crescimento do mercado das mulheres na área, e por outro lado, no minha opinião, só iria beneficiar o mercado, por ser algo novo e cada vez mais profissional.

Drinks Diary: Nos locais onde trabalhas costuma haver a celebração do dia da mulher?

Não é realizada uma celebração para o exterior, contudo, dentro da unidade, no dia 8 de março, não faltam “mimos” à equipa feminina.

 

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