Drinks Diary: O que significa para ti o “Dia da Mulher”?

O Dia da Mulher ensinou-me que somos umas guerreiras, que houve muitas de nós que lutaram para termos melhores condições de trabalho e de vida, ensinou-me sobre igualdade. Para mim o Dia da Mulher são todos os dias. Todos os dias eu “luto” por algo melhor, por saber mais, por evoluir, por crescer, por uma vida cheia de coisas boas.

Drinks Diary: É quase um cliché dizer que o Bar é um mundo de Homens, mas os números não mentem e as mulheres continuam a ser uma minoria. Porque achas que isso acontece?

Toda a história, tradição ou cultura tem o seu fluxo de mudança. Historicamente e culturalmente as mulheres não eram permitidas nas “tabernas”. Durante anos beber era uma coisa de homens. Hoje em dia é diferente. A história mudou, a cultura mudou. Continua a ser um mundo de homens, mas nos últimos anos começamos a ver as mulheres a furarem o mercado. No ano passado a Jennifer Le Nechet ganhou o Worldclass!

Drinks Diary: Já te aconteceu alguma situação caricata atrás do bar, que achas que não teria acontecido se fosses um Homem?

Já tive algumas situações caricatas. Mas assim a última foi, durante 3 dias um jovem estrangeiro passava muito tempo no bar a querer saber mais sobre cocktails. No último dia passamos a minha última hora de trabalho de rabo no ar há procura da aliança de casado do jovem, que gentilmente tinha retirado todos os dias quando entrava no bar.

Drinks Diary: Ser mulher e trabalhar “na noite”. Existe ou não um estigma social em relação a isso?

Sim e não. Depende da visão de cada um. Voltamos novamente ao tema da cultura e da história. A minha avó responderia qualquer coisa como “As meninas não deviam trabalhar à noite”. Eu já não penso da mesma maneira, eu trabalhei durante anos “na noite” e acho que fez toda a diferença na minha evolução como Bartender.

Drinks Diary: Enquanto profissional sentes que és valorizada pelos teus pares?

Sinto que sim. Sinto que há partilha de informação, conhecimento e formação. Sinto que te dão força e incentivo para cresceres mais, competires mais e evoluíres.

Drinks Diary: Como é que o “mundo do bar” surgiu na tua vida?

Comecei a trabalhar como empregada de mesa muito cedo. Uma coisa puxou a outra. Um dia entrei para trabalhar num bar “à séria” e disseram-me para eu fazer uma Margarita e eu disse “tens de me ensinar tudo do zero”. Ao primeiro cocktail aprendido apaixonei-me. As pessoas que trabalhavam comigo na altura também influenciaram em muito essa nova paixão.

Drinks Diary: Nos locais onde trabalhas costuma haver a celebração do dia da mulher?

Em quase todos sim!

 

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