Drinks Diary: Esta foi a tua primeira competição internacional, fala-nos da experiência.

Foi surpreendente! Foi a primeira experiência nacional e internacional e não estava à espera de uma competição tão grande, de tanta coisa a acontecer e de uma aprendizagem tão grande. Foi brutal mesmo! A todos os níveis, das pessoas envolvidas, dos Bartenders a nível mundial que lá estavam, o profissionalismo que encontrei, foi cinco estrelas.

Drinks Diary: Passaste quase uma semana em Londres, qual foi o programa?

Foram cinco dias, de segunda a sexta-feira. Cheguei na segunda-feira, e foi o dia que tivemos mais tempo livre. Houve um pequeno breefing na chegada ao hotel e depois fomos provar cocktails no Dandelyan, o bar do Hotel Mondrian onde ficámos instalados. Na terça-feira o dia começou bem cedo, às 7h da manhã estávamos todos no autocarro e prontos para passar todo o dia na Destilaria da Beefeater. Aí vimos os pot stills, mexemos nos botânicos usados para fazer o Beefeater e tivemos uma formação com a Anastasia Miller e outra com Desmond Payne. Provámos o novo Burrough´s Reserve, que ainda não foi lançado e ainda na destilaria foi-nos lançado um desafio sensorial em que tínhamos de cheirar vários aromas e adivinhar do que se tratava. Houve depois um jantar e visita a bares. Na quarta-feira arrancou a competição e o dia foi passado na The Vinyl Factory, situada em Soho. O espaço é uma cave gigante com boas condições onde enfrentámos vários desafios. No primeiro tínhamos de fazer um cocktail sem sumos e sem peles de cítricos, apenas as bebidas e alguns ácidos para lhe dar uma parte cítrica. Correu-me bastante bem este desafio, soube depois que o meu cocktail ficou em segundo. Seguiu-se um desafio em que fazíamos um cocktail e tínhamos de tirar uma fotografia com ele, orientar o fotógrafo e só depois se avançou para fazer o cocktail de assinatura com que concorremos e a apresentação aos júris. Na quinta-feira soube-se o nome dos oito finalistas, infelizmente o meu não entrou no lote de escolhidos e depois foi a prova dos cocktails finalistas.

beefeater placaDrinks Diary: Do que viste, o que te marcou mais?

Eu achava que nós estávamos a começar em Portugal a entrar no mundo do cocktail, mas quando se chega a Londres e se vê o estado avançado em que eles estão em comparação connosco, é brutal. A forma como eles fazem as infusões, os cordiais ou os xaropes. Eu achava que tínhamos aqui alguns cordiais e xaropes complexos, que o são, mas nada a ver com as coisas que vi fazer em Londres. Realmente elevam estas coisas a outro nível, é verdade que têm também mais recursos, mas não deixa de ser fantástico.

Drinks Diary: Havia 32 concorrentes das mais variadas nacionalidades, como foi a convivência?

Foi muito boa. Trago ideias novas para o Tabik, vou pôr coisas a mexer com certeza. Fazer umas infusões meio malucas que a mim me surpreenderam. E essas ideias cresceram ao falar com os outros candidatos, nas formações, na troca de ideias entre todos. Nesse aspeto, foi uma experiência cinco estrelas.

Drinks Diary: Quais foram as dificuldades que encontraste?

Sinceramente penso que não fui mais além na competição por ser a minha primeira experiência. O meu cocktail estava bom, muita gente o considerou dos melhores, mas lá está o resultado final não dependia apenas do sabor do cocktail. Estavam em disputa 4500 pontos, e quem tivesse mais pontos ganhava. E os pontos eram atribuídos a vários itens. Tínhamos de vender a nossa imagem e o conceito do cocktail. Tínhamos de criar vários cenários de bar e eu não estava bem preparado para isso, penso que se tivesse mais experiência em competições teria sido mais produtivo para mim. Havia concorrentes que levaram managers e outras ajudas por detrás, é um nível diferente.

Drinks Diary: O formato da competição era diferente do que encontraste na final nacional?

Não, acabou por ter muitas semelhanças. Sei que em Portugal houve críticas em relação ao concurso, por exemplo, ao facto de que quando fizemos o cocktail o júri não estava a ver, mas lá foi exatamente a mesma coisa. O júri não nos viu a fazer o cocktail, apenas provou o cocktail e ouviu a nossa história. A diferença no fundo é que em Portugal apenas se apresentou o cocktail de autor e lá tivemos quatro desafios. O cocktail de assinatura que apresentei foi o que fiz na final cá, poderia apenas fazer algumas melhorias, coisa que fiz na redução do vinho do Porto. Mas lá está, eu achava que estava a fazer algo bastante complexo, mas ao ver outros cocktails que lá estavam, não tem realmente nada a ver. Fiquei realmente impressionado em como as coisas estão tão evoluídas noutros países. Aqui realmente ainda é tudo novo, sinto que vai levar algum tempo a chegarmos lá.

Drinks Diary: Que conselho darias a alguém que vai participar numa competição deste género pela primeira vez?

Sem dúvida trabalharem bem o seu conceito e terem uma história forte para o cocktail, isso faz toda a diferença. Saberem “vender-se bem”, trabalhar a imagem e sem dúvida ter um cocktail forte. Porque às vezes pensamos que a simplicidade é o melhor, mas nestes concursos é difícil ter um cocktail simples porque há muita gente com muita coisa boa. Posso dar o exemplo de um dos concorrentes que infusionou Gin com pão. Com um pão típico alemão, e eu provei o Gin e era brutal. É uma ideia simples, mas que depois não é assim tão simples de implementar.

Drinks Diary: Pretendes continuar a participar em competições?

Sem dúvida. Nem que seja só pela experiência e pela aprendizagem. Um pouco para provar o que valho a mim mesmo, para me provar que estou a evoluir e porque sei que ao participar em concursos destes estou a aprender muito em pouco tempo. Já em Portugal tinha aprendido algumas coisas e ficado com algumas ideias e agora de Inglaterra venho com muitas mais.

beefeater todos

Entrevista publicada na 1ª edição da revista Drinks Diary

PARTILHARShare on FacebookTweet about this on Twitter