A cerveja é um produto de largo consumo em Portugal e de tradição bem vincada. No final do século XIX e início do século XX era significativo o número de cafés, especialmente em Lisboa e no Porto, que produziam a sua própria cerveja, um desenvolvimento do que já acontecera em séculos anteriores. Todavia, é provável que nunca tenha havido um momento como o atual, em que a palavra cerveja seja tão referida e tenha tanta projeção na comunicação social e na própria sociedade. Mas se prestarmos a devida atenção, percebemos que já não é uma palavra solitária. Vem acompanhada de outra: artesanal. Sim, a cerveja artesanal está na moda e certamente que veio para ficar.

O crescimento exponencial das cervejas artesanais no mercado português não é um fenómeno isolado. O movimento craft beer teve um dos seus momentos mais importantes com a criação da CAMRA – Campaign For Real Ale, em 1971, em Derry – Irlanda, sendo que o seu grande impulso aconteceu posteriormente nos  EUA, nos finais dos anos 70 e inícios dos anos 80. O conceito craft propagou-se então a outros países e tem feito o seu caminho um pouco por todo o mundo. Se no Brasil o mercado das cervejas artesanais terá arrancado por volta de 2004, em Espanha poderemos estar a falar em 2008/9 e em Portugal 2011/2.

Mesmo antes da atual década já existiam alguns sinais de que a cerveja artesanal começava a fazer a sua inserção nos gostos e hábitos do consumidor português. Nesse âmbito, não poderemos deixar de destacar o trabalho desenvolvido pela já extinta Loja da Cerveja Caseira, do atual cervejeiro da 8ª Colina, Fernando Gonçalves. Essa loja

lisboeta terá sido a primeira a abrir em território nacional exclusivamente dedicada à venda de produtos relacionados com a produção de cerveja em casa. Certamente que muitos dos atuais entusiastas e produtores de cerveja artesanal terão começado o seu hobby nesta loja, na qual se podiam comprar desde maltes, a diversas variedades de lúpulos, densímetros e outra parafernália cervejeira. Do início deste século data também o sítio www.cervejasdomundo.com, criado em 2001 e que desde então, designadamente através do seu fórum, tem ajudado a divulgar a cultura cervejeira no nosso país.

Mas, conforme se mencionou, o atual crescimento do mercado das cervejas artesanais, e em específico as nacionais, dá-se essencialmente a partir do início da atual década. E esse desenvolvimento baseia-se muito no aparecimento de marcas de cerveja artesanal portuguesas, facto que faltava e que era essencial para permitir o crescimento do interesse dos consumidores e consequente alastramento da cultura cervejeira. Existem assim duas marcas pioneiras e que funcionaram como elementos de desbravamento de um caminho ainda então pouco conhecido. São elas a Sovina, do Porto, e a Praxis, de Coimbra, esta última inicialmente apenas como brewpub. Abertas as comportas, rapidamente outras marcas se lhes seguiram, nomeadamente a Vadia de Aveiro, a Cerveja Artesanal do Minho (atual Letra), a Rolls Beer entre outras. Um aspeto que há a ressaltar é a descentralização deste movimento, não circunscrito a grandes centros urbanos, com polos de crescimento em zonas tão díspares como Azambuja, Oliveira de Azeméis, Anadia ou Caldas da Rainha.

Estima-se que, atualmente, existam cerca de 80 marcas de cerveja artesanal em Portugal, umas mais conhecidas do que outras, algumas

com uma distribuição nacional e outras apenas local, mas todas seguindo o mesmo pressuposto: a valorização da t

temos naturalmente ainda de salientar um outro aspeto que muito tem contribuído para a expansão da cultura e do movimento cervejeiro artesanal: os festivais de cerveja. Tradicionalmente, um festival cervejeiro era um evento mono-marca, onde se bebiam muitos litros de cerveja, comia-se  porco no espeto e pão com chouriço, enquanto se trauteava a canção de uma qualquer banda contratada para animar o povo. Hoje, continua a haver muita cerveja, pão com chouriço e outros petiscos e música mais ou menos apelativa. Mas há mais: há variedade. Temos a oportunidade de beber uma cerveja da marca X ou da marca Y, de experimentar os estilos Barley Wine, Belgian Strong Ale ou Robust Porter, de comprovar localmente a pujança do mercado das cervejas artesanais nacionais. E, uma vez mais, louve-se a variedade de localizações que têm vindo a receber bons festivais cervejeiros: Sertã, Caminha, Faro, Leiria, Azambuja ou Lisboa.

Se ainda não o fez esta é possivelmente a melhor altura para experimentar cerveja artesanal, se possível portuguesa. São já inúmeros os espaços que optaram por ter uma boa seleção de cervejas, havendo mesmo restaurantes a criar cartas cervejeiras, tal como já acontece para os vinhos. Os tempos que se seguem auguram-se risonhos.

radição mas também da inovação, a ligação à comunidade, a utilização de ingredientes criteriosamente selecionados, a proximidade com o consumidor, elementos esses diferenciadores daquilo que é uma verdadeira cerveja artesanal. Não será pois de estranhar que rapidamente cheguemos à centena de pequenas empresas dedicadas a esta produção, número que certamente será atingido ainda antes do final de 2016.

Por último, temos naturalmente ainda de salientar um outro aspeto que muito tem contribuído para a expansão da cultura e do movimento cervejeiro artesanal: os festivais de cerveja. Tradicionalmente, um festival cervejeiro era um evento mono-marca, onde se bebiam muitos litros de cerveja, comia-se  porco no espeto e pão com chouriço, enquanto se trauteava a canção de uma qualquer banda contratada para animar o povo. Hoje, continua a haver muita cerveja, pão com chouriço e outros petiscos e música mais ou menos apelativa. Mas há mais: há variedade. Temos a oportunidade de beber uma cerveja da marca X ou da marca Y, de experimentar os estilos Barley Wine, Belgian Strong Ale ou Robust Porter, de comprovar localmente a pujança do mercado das cervejas artesanais nacionais. E, uma vez mais, louve-se a variedade de localizações que têm vindo a receber bons festivais cervejeiros: Sertã, Caminha, Faro, Leiria, Azambuja ou Lisboa.

Se ainda não o fez esta é possivelmente a melhor altura para experimentar cerveja artesanal, se possível portuguesa. São já inúmeros os espaços que optaram por ter uma boa seleção de cervejas, havendo mesmo restaurantes a criar cartas cervejeiras, tal como já acontece para os vinhos. Os tempos que se seguem auguram-se risonhos.

Artigo de opinião escrito por Bruno Aquino Beer Sommelier, para a primeira edição da Revista Drinks Diary.

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