Agora que se aproxima mais uma edição do evento do ano em Portugal no que diz respeito às bebidas espirituosas e cocktails, achei por bem relembrar um pouco da etiqueta a ter em mente quando se visita feiras de bar, para evitar situações menos agradáveis no final da feira, à semelhança do ano passado, devido a excessos, por parte de quem bebe… e de quem serve.

Se calhar o melhor mesmo é começar por lembrar que quando se trata de servir álcool seja em feiras, bares ou em casa a amigos não nos devemos esquecer da responsabilidade que temos nesta posição, a importância de não servir a menores e a de servir moderadamente os adultos, entre outras.

Uma pergunta. Se uma pessoa sair embriagada da feira e for atropelada ao atravessar a estrada, de quem é a responsabilidade? Da pessoa que depois de ter uns copos a mais não foi capaz de pôr travão ou da pessoa que estava a servir e mesmo vendo que a pessoa já tinha bebido demais não parou de servir? Independentemente da vossa resposta, este é um dos vários cenários a refletir e que deve ser levado em conta nas atitudes que temos atrás do bar e da nossa responsabilidade enquanto profissionais que servem álcool.

Para que foram criadas as feiras de bar? Essencialmente para juntar no mesmo recinto uma série de players da indústria de bebidas. Junta quem tem o produto para expor/vender com quem vai para ver o que há de novo e quais as novas tendências. Algumas das feiras são complementadas com um programa educativo, constituído por seminários, sessões de prova e workshops.

Posto isto, para tirar um melhor partido das feiras, quem a vai visitar deve começar por verificar o programa de seminários e marcar quais os que têm interesse em ver, evitando desta forma perder uma oportunidade única de ouvir o senhor que produz o produto X e que tão depressa não voltará a Portugal. Nestes seminários aprendem-se os métodos de produção por quem os produz e que orgulhosamente se dispõe a responder às perguntas dos mais curiosos (dica: se reparares num seminário de um master distiller/blender de um produto que tens no teu estabelecimento e com o qual tens alguma afinidade, aproveita para fazer uma pesquisa prévia e expor as tuas dúvidas durante o seminário), outros seminários apresentados por autênticos globe trotters do bartending que passam o ano a viajar e nos trazem novas tendências e ideias do que podemos evoluir/adaptar ao conceito do nosso bar, entre tantos outros seminários.

Para quem vai visitar a feira, à parte dos seminários há também a oportunidade de ficar a par dos últimos produtos que chegaram ao mercado, de os provar e analisar até que ponto seria interessante trabalhar com eles no bar, ou do lançamento de edições limitadas, para não falar de todo um network e base de contatos que pode ser criada nestas feiras.

Para quem expõe na feira esta é uma excelente oportunidade de negócio, agora é preciso não a perder! Idealmente a feira serve para expor um produto ou uma gama de produtos e as últimas adições ao portfólio. Quer se dar a provar em quantidades pequenas, é uma prova! Idealmente o produto deve ser provado por si só para que se possa apreciar e perceber do que se trata, o que o distingue. Aproveita-se a ocasião para dar um pouco de informação sobre o produto, por exemplo no caso de um Rum, onde é produzido, se é um rum agrícola (sumo de cana de açúcar) ou industrial (melaço de cana de açúcar) se é destilado em alambique simples ou destilação em coluna ou mesmo das duas maneiras, quantos anos é envelhecido, a idade que menciona no rótulo é do rum mais antigo ou do mais novo usado no blend, qual o tipo de madeira onde é envelhecido ou se após envelhecido tem finalização num barril em particular, etc…

Depois de darem o produto a provar e de terem explicado as suas características e sugestões de consumo “Este rum com este perfil faz um rum old fashioned fantástico” falta saber do interesse por parte da pessoa que provou, perguntar o que achou e de explicar onde pode ser adquirido, quais os distribuidores com que trabalham, a que valor está disponível, etc. Para finalizar, poderá haver algum folheto ilustrativo com informação do produto ou um simples business card é sempre útil. Quem está a provar pode não estar numa fase de fazer alterações ao menu mas quando estiver, o folheto ou o cartão será uma lembrança do que provou.

A atitude a evitar para quem visita a feira é dirigir-se a um stand e pedir um cocktail com o produto X, sem sequer saber nada do produto ou o ter provado antes, mostra uma falta de respeito por quem ali está.

Regra geral todas as feiras têm stands com venda de comida, se vais fazer várias provas lembre-te de intervalar com alguns snacks pelo meio para evitar que fiques embriagado e não dês uma boa apresentação tua profissionalmente.

A evitar por parte de quem expõe, colocar pessoas no stand a servir o teu produto só porque tem os olhos bonitos, certifica-te que esta pessoa se encaixa no conceito da marca e que sabe os pontos chave do produto para os poder explicar a quem por ali passa “Pois, não sei, só estou aqui hoje…” parece-me muito pobrezinho para quem está a representar uma marca que decidiu fazer o investimento na feira. Fazer uma lista com “guest bartenders” de hora a hora no stand para servir cocktails, a meu ver não será a melhor maneira de promover o teu produto, apenas estará a promover a embriaguez.

Por último, se decidiste convidar profissionais para estarem presentes no seu stand, fá-lo com o respeito que estes merecem e paga pelo serviço que estás a contratar. Pode ser monetariamente ou stock se assim chegarem a acordo. Não me parece correto a marca X pagar ao Bartender que vem do estrangeiro por ser uma estrela e ter uma série de Bartenders portugueses a “abrir o concerto” por uma sandes de torresmos.

 

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