Ian Burrel dispensa apresentações, depois de uma carreira que passou pela música, abraçou o mundo do Rum e a tarefa de levar a história e a cultura de Rum pelo Mundo. Não sabe bem como acabou por ser “The Rum Global Ambassador” mas abraçou o cargo e é hoje uma das referências a nível mundial no setor, estando na génese do UK RumFest e do movimento de eventos dedicados ao Rum que apareceram depois.

 

 

Drinks Diary: Como é que te tornaste no The Global Rum Ambassador?

Ian Burrell: No final dos anos 1990 fui nomeado o primeiro Embaixador do Rum no Reino Unido pela J. Wray & Nephew. Depois de ter ensinado Bartenders sobre o Rum da Jamaica, foi-me proposto que ajudasse a lançar o Appleton na Nova Zelândia e na Austrália. Foi por essa altura que percebi que adoro viajar e que necessitava de aprender mais sobre o Rum. Então decidi redefinir-me como um Embaixador do Rum, que viaja à volta do mundo ensinando quem me queira ouvir. Depois de 2007 os media começaram a referir-se a mim como o Global Rum Ambassador, e eu fiquei com o nome.

Drinks Diary: Tiveste algum tipo de formação sobre Rum, ou simplesmente és apaixonado pelo tema e buscaste o conhecimento sozinho? És um self-made man?

Ian Burrell: Não há melhor educação que aquela que te trás a experiência, e coloquei-me em situações que me permitiram experimentar todo o tipo de Rum possível. Por isso sim, podes dizer que sou um self-made man, mas que aprendi com a universidade da vida.

Drinks Diary: O que faz com que o Rum seja uma bebida especial?

Ian Burrell: A sua história, as ligações culturais, a importância que tem para as economias locais e a sua versatilidade.

Drinks Diary: Qual é para ti o teu desígnio enquanto Rum Ambassador?

Ian Burrell: O meu objetivo é “edu-tain” o maior número de pessoas possível pelo mundo afora, e mostrar-lhes porque o Rum é mais que uma bebida espirituosa, é uma forma de estar na vida.

Drinks Diary:  Organizaste o The UK Rumfest em Londres, como achas que esse evento ajudou a divulgar o Rum?

Ian Burrell: Este foi o primeiro Festival Internacional dedicado ao Rum a ser criado, e influenciou o aparecimento de outros festivais um pouco por todo o mundo. Os seus organizadores vinham a Londres para ver o evento e perceber como se fazia um Festival dedicado ao Rum e ver se funcionaria nos seus países, logo podemos dizer que o UK RumFest é parente de todos os outros Rum Festivals que existem hoje. Se conseguimos influenciar outros países a organizarem festivais dedicados ao Rum isso quer dizer que mais pessoas terão a oportunidade de provar Rum guiados por profissionais, Master Blenders, Embaixadores de Marcas e outros aficionados.

Drinks Diary: Começaste o festival em Londres, e hoje em dia muitas outras cidades espalhadas pelo mundo têm um RumFest. Achas que o Rum será a “The next big thing” para os Bartenders?

Ian Burrell: O Rum não será o próximo “Big Thing” porque sempre esteve presente e sempre foi popular. Basta olhar para alguns dos mais famosos cocktails no mundo. Mojito, Daiquiri, Cuba Livre, Pina Colada, Dark & Stormy, Zombies e muitos outros cocktails Tiki que são feitos com base de Rum. O que será a próxima tendência é ter um maior portfólio de Rum e poder oferecer outras interpretações do Rum, porque nos dias que correm há muitas opções a serem vendidas à escala mundial.

Drinks Diary: Sou uma principiante, pouco sei sobre Rum, podes dar-me algumas dicas? Como e por onde devo começar a provar Rum, porque é um mundo tão vasto de países produtores e estilos…

Ian Burrell: Se houver um Festival de Rum na tua cidade ou país deves de ir porque lá normalmente poderás encontrar diferentes tipos de Rum e haverá quem te guie e explique o que estás a beber. Mas o mais importante éapreciares o que gostas, mas tem cuidado com o que pagas pelo que bebes.

Drinks Diary: Ajudaste a conseguir o Recorde do Guinness para a maior prova de Rum do mundo. Como é que isso aconteceu?

Ian Burrell: Pensei na altura que esta poderia ser uma boa forma de promover o Rum e de colocar os consumidores a falar sobre a categoria, então convidei seis marcas para trabalharem comigo conseguir o recorde para a maior prova e Masterclass de Rum. Conseguimos o recorde em 2014 , mas já fomos ultrapassado por uma organização colombiana, mas vou trazer o recorde de volta. Sou Jamaicano!

 

Drinks Diary: Vieste do mundo do espetáculo, eras cantor. Como é que essa experiência te ajuda no dia a dia, por exemplo quando tens de falar para um grande público numa Masterclasses?

Ian Burrell: Ajudou-me imenso especialmente no que toca a falar em público. Ainda fico algo nervoso, mas a experiência ajuda-te a lidar com isso e a não teres manifestações perceptíveis de que estás nervoso. Já atuei para públicos com mais de 70000 pessoas, por isso em comparação, uma pequena Masterclass sobre Rum é bem mais fácil.

Drinks Diary: Conheces a Bar Scene portuguesa? O que dirias aos Bartenders Portugueses que incentive o uso do Rum?

Ian Burrell: Ainda estou a conhecer a Bar Scene de Portugal, mas o que vi nos últimos anos tem-me impressionado. Bares como o Red Frog, Cinco Lounge ou o The George Pub são alguns dos meus favoritos e têm boas coleções de Rum. Eu diria aos Bartenders Portugueses para continuarem a experimentar novos Rums e novos cocktails com Rum. E tal como o popular Gin tónico, o Rum e Ginger Beer ou até mesmo um Rum com Coca-cola podem ser formas simples e excitantes de servir Rum ao cliente em geral. Usem a imaginação, o vosso palato e diferentes ervas e especiarias para fazer bebidas incríveis para os vossos convidados.

 

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