A região da Lourinhã fica a menos de uma hora de Lisboa, para lá chegar percorremos um caminho acidentado entre montes ventosos e o mar à vista e quando lá chegamos estamos em pleno oeste de Portugal, zona de grande extensão rural e de praias famosas pelas condições para o surf. Da Lourinhã ouvimos muitas vezes falar sobre as descobertas arqueológicas que fazem dela a capital do dinossauro em Portugal, mas por estas terras fustigadas pelo vento crescem nas vinhas as uvas perfeitas para produzir aguardente e esse facto é reconhecido, a Lourinhã é uma das três únicas regiões Demarcadas de Aguardente Vínica no Mundo. Com as regiões francesas Cognac e Armagnac completa o trio de zonas com condições únicas para a produção deste néctar tão especial que o tempo só pode aprimorar.

 

A Louriana XO nasce de uma brincadeira entre amigos, Paulo Marcelino e João Brito, apreciadores da aguardente e de Golf foram dando a provar o tesouro da região a amigos e perceberam o seu potencial. Ambos com carreiras profissionais fora da indústria de bebidas e movidos pela paixão pela aguardente da terra criaram uma marca para a divulgar.

O nome Louriana vem da palavra que pode ter dado origem ao nome da Lourinhã, da pesquisa que fizeram encontraram a palavra Louriana ou Laurinius. O segundo termo não foi o escolhido, mas não ficou esquecido e foi dado ao Gin Laurinius, um Gin envelhecido em barricas usadas pela aguardente da Lourinhã numa parceria com António Cuco do Gin Sharish.

O nome estava escolhido e segundo as palavras de Paulo Marcelino a única ideia que tinham em mente era “espalhar magia”. E onde encontrar a magia?

Nos corredores escuros de paredes mascarradas de negro da Adega Cooperativa da Lourinhã, guardiã de cerca de 96 mil litros de aguardente que serenamente envelhece nos seus barris, meticulosamente datados e catalogados por João Pedro Catela que há mais de duas décadas está à frente do destino, nem sempre fácil, da cooperativa.

Foi aqui que os dois amigos, conjugando os seus diferentes gostos chegaram a ao blend que é hoje a Aguardente DOC Louriana XO. “A Aguardente é produzida aqui (ACL) e envelhecida da mesma forma que as outras aguardentes produzidas pela adega, a única diferença é que nós selecionamos um lote com as características que consideramos ideais para nós, tendo até em conta a dificuldade em chegarmos a um consenso, o Paulo Marcelino gosta de aguardentes mais “ásperas” como se costuma dizer, eu gosto de aguardentes mais macias” refere João Brito.

Depois de criada a marca, escolhida a garrafa, a imagem e feito o Blend chegaram ao mercado mais de um milhar de garrafas e a brincadeira inicial tornou-se num empreendimento que começou a tornar-se sério, com a presença da Louriana em pontos de venda espalhados pelo país e em restaurantes de referência.

Saída para o mercado em dezembro de 2015 a equipa está já a trabalhar com João Pedro Catela na composição de um novo lote a lançar brevemente.

Todo o trabalho por detrás da cada garrafa é feito na Adega Cooperativa da Lourinhã, desde o envelhecimento ao engarrafamento passando pela rotulagem feita pelas mãos hábeis da Dona Manuela que está na casa há cerca de 27 anos.

 

Aguardente Vínica DOC Louriana XO é produzida na sub-região da Lourinhã que é parte integrante da Região de Vinhos de Lisboa. Esta região beneficia de um clima Atlântico e de solos mediterrâneos pardos ou vermelhos, normais ou para barros de arenitos Finos, aluviosolos modernos, um terroir com características únicas para a produção de aguardente vínica.

Produzida a partir das castas Tália / Alicante e malvasia Rei, é destilada a partir de vinhos de baixo teor alcoólico e ricos em ácidos orgânicos. A destilação é feita dentro da Região Demarcada, num alambique de coluna de cobre em 18 do tipo Armagnac, logo após terminar a fermentação alcoólica, sem adição de anidrido sulfuroso ou qualquer outro químico.

A aguardente é depois envelhecida por períodos de tempo variáveis em cascos de carvalho francês e de carvalho português.

O resultado final é uma aguardente vínica com um teor alcoólico de 40%, uma cor topázio acastanhado e laivos esverdeados, aroma intenso e frutado, com notas de baunilha, madeira, café e frutos secos. Na boca é macia, doce, com ligeiro fumado e persistente.

 

A Lourinhã foi demarcada para a produção de Aguardente Vínica a 7 de março de 1992, celebra este ano o seu 25º aniversário. Apesar dessa distinção há apenas dois produtores fiéis guardiões dos segredos da aguardente, a Adega Cooperativa da Lourinhã e a Quinta do Rol, proprietária do único alambique certificado na região.

São cinco os concelhos que fazem parte de zona demarcada e cerca de 20 os pequenos produtores que entregam as suas uvas anualmente para a produção de aguardente. Aqui a aguardente não é um sub-produto da produção de vinho, mas o produto que é o objetivo principal. Após se fazer o vinho e a destilação vem a parte do envelhecimento que é a mais morosa. Os lotes que saem da A.C.L. têm em média 12 anos, sendo que o mínimo necessário para integrar o lote são oito anos de envelhecimento. Aqui toda a aguardente tem a classificação de XO ou Extra Old, as mesmas classificações que aplicam as regiões francesas.

 

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