Manhattan é sinónimo de Nova Iorque, cidade cosmopolita e intemporal, onde os sonhos se podem realizar. “If you can make it there, you can make it anywhere” cantou Frank Sinatra sobre a cidade, Woody Allen dedicou todo um filme a esta zona da cidade, o clássico “Manhattan” de 1979 com Diane Keaton que imortalizou o banco de jardim por debaixo da Queensboro Bridge. E como não reconhecer as ruas de Manhattan depois de seis temporadas das aventuras de Carrie Bradshaw e amigas em Sexo e a Cidade?

Foi nestas ruas movimentadas entre o Central Park, a Times Square, a Wall Street e a Broadway que algures no século XIX o cocktail homónimo foi criado, o Manhattan é o clássico a que prestamos homenagem neste artigo.

O Manhattan é nativo de Nova Iorque, a maioria dos estudiosos da história dos cocktails concorda com isso, a discórdia centra-se nos detalhes do aparecimento da receita, o quem e o onde desta história poderá nunca ser esclarecido, mas crê-se que o Manhattan Club teve um papel Importante.

Uma das versões da história coloca o momento do aparecimento do cocktail num banquete dado no Club nova iorquino por Jennie Jerome, a mãe de Winston Churchill. O banquete terá sido a celebração de uma vitória política, Samuel J. Tilden havia sido eleito governador. David Wondrich afirma no seu livro “Imbibe!” que este é um dos maiores mitos da história das bebidas, porque apesar de ser a história mais repetida, há registos de que pela altura deste banquete Jennie estaria em Oxfordshire porque tinha dado à luz o futuro primeiro ministro do Reino Unido, o que inviabiliza esta versão da história.

Eliminando o banquete, devemos eliminar o Manhattan Club desta história? Segundo William F. Mulhall, Bartender no Hoffman House entre 1882 e 1915, sim. É ele a fonte da versão que conta que o Manhattan foi inventado por um Bartender chamado Black que tinha um bar abaixo da Houston Street na Broadway na década de sessenta desse século. Os registos da cidade mostram que em 1870 havia efetivamente um William Black a trabalhar num Saloon na Bowery, mas acima da Houston Street não abaixo, o que apesar de fundamentar a história ainda lhe deixa algumas falhas.

Por outro lado, se Mulhall excluiu o Manhattan Club há que continue a afirmar que foi aqui que nasceu o Manhattan Cocktail embora noutro contexto. Um Bartender de Boston entrevistado em 1889, afirmou que o Manhattan teve origem na mente de um Bartender “at the Manhattan Club´s rooms in New York”.  Esta versão da história é reforçada numa coluna de opinião “With The Clubmen” publicada em 1902 no New York Times, que afirma que a lenda diz que “The Manhattan Club… first gave birth to the Manhattan Cocktail.”

Já em 1915 o Manhattan Club publicou uma história oficial onde simplesmente afirma que o celebrado cocktail Manhattan foi “lançado” no clube. David Wondrich diz não ter encontrado nenhuma referência a este “lançamento” nos muitos documentos pré-prohibition que analisou e que não há outras indicações bibliográficas que corroborem esta versão do Manhattan Club. As que encontrou são posteriores, numa edição de 1963 da revista Gourmet que divulgou o rumor de que o cocktail havia sido criado por um génio anónimo no Manhattan Club durante o mandato de August Belmont, presidente do clube entre 1874 e 1879.

Quem divulgou este rumor foi Carol Truax, filha do presidente que sucedeu a Belmont em 1890, o que deu alguma credibilidade à história. Mas a criação pode até ter precedido a Belmont, se tivermos em conta um excerto de uma notícia publicada pelo Galveston Daily News em setembro de 1873, “The New York Club has a peculiar cocktail. It is made of the best Brandy and several kinds of bitters (…) and the Manhattan Club has invented another.”

Não podemos depreender por esta notícia que a nova invenção é o Manhattan, ainda mais que 1873 é algo à frente no seu tempo para um cocktail onde se mistura Vermute com um espirituoso, quase uma década antes do uso de Vermute ser amplamente aceite nos E.U.A. o que é extraordinário.

Seja qual for a versão correta, a verdade é que a meio da década de 1880 o cocktail era já comum. Em 5 de setembro de 1882 apareceu o primeiro registro impresso num jornal, o Olean Democrat afirmava que, “havia pouco tempo em que uma mistura de Whiskey, Vermute e Bitters estava na moda”.

A receita teve outros nomes, Turf Club ou Jockey Club por exemplo, o que ao início baralhou os Bartenders, mas Manhattan foi o nome que perdurou e em 1884 foi cunhado nos Bartender´s Guides e é proliferamente mencionado em guias e artigos de jornal.

Ao longos dos tempos várias foram as discussões de como se faz um Manhattan, se com Bourbon, se com Whiskey de centeio, se se mistura em partes iguais com o vermute ou se há outras medidas a respeitar.

Mas a simplicidade clássica de uma receita de três ingredientes mantém-se elegante e intemporal.

 

Manhattan

50ml Bulleit Rye

25ml Carlo Alberto Riserva Rosso

2 Dash Angostura bitters

 


Manhattan Step by Step

 

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