Nelson Semedo deu os primeiros passos no mundo do Bar no Bungalow Bar, na linha de Sintra. O bar do tio de de Nelson Bernardes foi a rampa de lançamento, que o levou a abandonar a área da informática e a decidir a investir na formação na área. Da linha de Sintra viajou para Londres e de lá para Barcelona, onde trabalha atualmente no Dry Martini, local que faz escola entre a comunidade de Bartenders a nível mundial.

 

Drinks Diary: Estudaste na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, era a tua intenção ser Bartender? Como acabaste por seguir esta carreira?

Nelson: Na verdade o meu percurso profissional começou numa área bastante diferente, estudei para ser técnico de informático. Já quase nos últimos meses do meu curso comecei a ajudar num bar na zona do Cacém (Bungalow bar), onde o Nelson Bernardes nessa altura era co-proprietário, com o passar do tempo comecei a desenvolver um grande interesse na área, o que me levou a tirar um curso de flair bartending e que de seguida me levou a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa.

Drinks Diary: Como surgiu a oportunidade de trabalhar no Dry Martini Barcelona?

Nelson: É sempre complicado chegar a um novo país sem dominar a língua na perfeição e sem contactos, mas felizmente tinha acabado de sair de Londres e essa experiência obviamente tem valor no mercado de trabalho, felizmente o Dry Martini nessa altura estava à procura de alguém com experiência internacional para a posição de formador para as suas aberturas internacionais.

Drinks Diary: Trabalhas num bar que durante vários anos fez parte da lista dos “Top 50 World Best Bars” como se chega a esse nível? Sentes a pressão no teu dia a dia?

Nelson: O bar Dry Martini Barcelona faz parte dos “Top 50 World Best Bars” desde que começaram essa eleição dos 50 melhores bares do mundo, esse é  um dos grandes motivos por ele ser reconhecido internacionalmente, e por esse mesmo motivo eu quis fazer parte dessa equipa. Este é  um bar com uma enorme simbologia envolta no Dry Martini Cocktail, uma simbologia tão grande que fez com que durante os primeiros anos de abertura do Dry Martini bar apenas se vendiam Cocktails Dry Martini, e ao ter sido capaz de manter grande parte da sua decoração, espaço e standards intactos durantes tantos anos é  mais que apropriado que mereça ser reconhecido por isso mesmo.

E claro para mim, um Bartender relativamente jovem (comparativamente a alguns dos meus colegas que se encontram a trabalhar para este bar desde a sua criação, 1978), existe uma grande pressão em mostrar a todos os nossos clientes que os standards clássicos deste bar e a minha formação moderna podem coexistir com êxito dentro deste fantástico bar.

Drinks Diary: Tens no currículo uma passagem por Londres. Quais são as diferenças entre trabalhar em Lisboa, Londres ou Barcelona?

Nelson: Acredito que Londres tem uma perspectiva bastante diferente para cada indivíduo dependendo do seu trabalho, motivação e objectivo. Para mim foi um período de grande esforço, dedicação e aprendizagem. Londres é  uma das capitais mundiais na arte da mixologia e isso por si só faz com que muitos Bartenders de renome se sintam inclinados a exercer a sua profissão e arte nessa cidade, que para mim é o que a difere tanto de Lisboa como de Barcelona,  eu acredito que a evolução e desenvolvimento acaba por atrair mais do mesmo e por isso mesmo Londres é  reconhecida, felizmente esta evolução começa a chegar a Lisboa e Barcelona em grande expressão, porque felizmente muitos dos Bartenders que estiveram presentes ou interessados nesta evolução levaram com eles essa mesma evolução para ambas as cidades e a eles muito devemos!

Drinks Diary: Para além de trabalhar no Dry Martini estás envolvido noutros projetos?

Nelson: Neste momento e tal como quando comecei na Dry Martini Organization, estou focado em ela mesma, entre formações, aberturas de novos bares em vários locais do mundo, eventos, masterclasses, e felizmente muitos turnos no bar Dry Martini Barcelona, a minha atenção está focada em seguir o nosso projeto de expansão.

Drinks Diary: Quais são para ti os maiores desafios para o Bartender nos dias que correm?

Nelson: Para mim particularmente é a atenção ao cliente, acredito que cada vez mais os nossos clientes ( e quando digo nossos, refiro me a todos os Bartenders por aí fora) estão mais atentos ao serviço e ao factor wow, com tantas inovações no nosso setor manter um pé nas inovações, outro no serviço e atenção ao cliente é  sem dúvida um dos maiores desafios que encontro.

Drinks Diary: Quais são para ti as próximas tendências?

Sem dúvida um tema complicado de prever, mas na minha opinião o interesse por produtos exóticos (presentes na África, América do Sul e continente  asiático) que na grande maioria são desconhecidos pela comunidade europeia, vai ser uma tendência bastante grande pela Europa fora!

Drinks Diary: Saíste há alguns anos de Portugal houveram muitas mudanças na indústria nacional, como olhas para o panorama do Bar no nosso país?

Nelson: Sem dúvida sinto bastante inveja dos novos Bartenders que tiveram o luxo de fazerem parte da evolução da cultura do cocktail em Portugal, os nomes que hoje em dia lês  na Internet e em revistas como a Drinks Diary, no meu tempo eram divulgados pelo chamado “boca-a-boca” da nossa indústria, o que me faz sentir um grande orgulho em todos os grandes nomes que continuam a elevar a fasquia!

Drinks Diary: Voltar a trabalhar em Portugal faz parte dos planos?

Nelson: Portugal é a minha casa e a dos meus amigos e familiares mais próximos mas de momento ainda não tenho planos de voltar a Portugal, embora mantenha sempre em atenção a nossa indústria que continua a surpreender e por isso mesmo acredito que o que o futuro me reserva ainda não me foi completamente desvendado…

Um abraço a todos vocês na Drinks Diary e claro a todos da indústria.

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