No meu tempo ser Barman / Bartender marcava a diferença, éramos olhados como profissionais com extrema importância na estratégia das unidades hoteleiras e nos similares da indústria hoteleira, como bares, discotecas, snack bares e outros estabelecimentos relacionados com o mundo das bebidas.

Pela exigência desta nobre profissão só evoluíam aqueles que tinham vocação, vontade de estudar, que para além de serem excelentes profissionais de bar, também eram bons relações públicas. Tinham de ser dotados de elevado grau de cultura geral, em particular conhecimentos de línguas estrangeiras, pois só assim tinham as competências necessárias para o cabal desempenho das suas funções, que iam de barman, passando pelas relações públicas, até psicólogo e muitas vezes confessor.

Dada a importância do profissional de bar, bem como de outras profissões relacionadas com a Indústria Hoteleira, no início dos anos 70, para além das Escolas de Hotelaria, foram lançados cursos itinerantes que percorreram o país proporcionando o conhecimento e a valorização profissional, pessoal e cultural, dos profissionais do setor.

Quero vos dizer que eram cursos a sério, onde as matérias lecionadas percorriam desde a história, produção, tipos, formas de servir, das mais variadas bebidas alcoólicas, fermentadas ou destiladas, feitas por maceração ou infusão, ou não alcoólicas e dotavam os profissionais de bar das ferramentas necessárias para um bom desempenho profissional.

No final dos anos 60, princípio dos anos 70, com a vinda dos turistas a Portugal, em particular dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, entre outros, os profissionais de bar foram confrontados com pedidos dos mais variados “cocktails”, que marcavam as tendências a nível mundial, como o Old Fashioned, Manhattan, Negroni, Americano, White Lady e muitos outros clássicos, que faziam as delícias dos clientes, aumentando desta feita a responsabilidade dos profissionais de bar, de bem servir com a finalidade de os fidelizar e aumentar o volume de negócio.

De salientar que os cursos tinham lugar no tempo livre dos trabalhadores, que denotavam uma vontade enorme de aprender e evoluir na sua carreira profissional, porque só com a participação nos mesmos podiam progredir em termos profissionais e monetários. E esta…como tudo mudou…

A formação profissional dos Barmen nos anos 70, 80 e 90 foram levadas a sério, as escolas de hotelaria e os seus formadores tiveram um papel de destaque, a carga horária e os conteúdos lecionados eram adequados à exigência da profissão, daí saíram grandes profissionais que levaram o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo, com sucesso.

A partir dos anos 2000, os cursos de bar começaram também a ser lecionados, para além das Escolas de Hotelaria e Turismo, o Instituto de Emprego e Formação Profissional, nas escolas Básicas e Secundárias, os denominados cursos de formação e educação e profissionais respetivamente com a duração de 2 ou 3 anos letivos, que em conjunto com as “ditas disciplinas normais”, foram acrescentadas as sobre o serviço de bebidas, vinhos e cafetaria, com uma carga horária adequada na minha opinião. Considero que foi uma mais valia para os jovens, bem como para a indústria, pois teve ao seu dispôr profissionais de bar, para satisfazer as necessidades de um serviço que se pretende de qualidade nos bares dos hotéis ou similares da hotelaria.

Penso que por volta de 2010, por distração ou por falta bom senso, digo eu, algo de grave se passou para a profissão de Barman / Barmaid/ Bartender, em Portugal, pois as diversas escolas, deixaram de lecionar os cursos de bar, com a carga horária adequada à exigência da profissão, passando a se chamar curso de Restaurante / Bar, descaracterizando desta forma esta nobre e linda profissão. O meu lamento…

Nos últimos 5 anos apareceram os cursos vocacionais, com uma carga horária de 50 horas, no ano letivo, o que francamente não nos leva a lado nenhum. Já agora, para meu espanto, é esta mesma carga horário que tem a disciplina de bar num curso de restaurante /bar, nas mais diversas escolas do Turismo de Portugal. Assim não vamos lá…

No panorama nacional, estamos a assistir a uma falta gritante de profissionais para o setor da indústria de bebidas e do bar. As novas gerações arriscam a não ter um futuro brilhante no mundo do bar.

É claro que existem várias entidades a promover formação na área de bar, mas na minha opinião é complementar a um verdadeiro curso de bar, com toda a carga que acarreta. Sim, é de extrema importância a formação contínua dos profissionais do setor e aí essas entidades têm um papel de extrema importância e de louvar.

 

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