Logis d’Angeac, a destilaria onde se destila o Cognac Pierre Ferrand está edificada entre um mar de vinhas. Este é o coração da Grande Champagne, a parte mais nobre da região de Cognac onde o terroir se exprime com todo o seu esplendor, o solo calcário e o terreno ondulante são essenciais para crescerem uvas perfeitas para a produção de Cognac de grande qualidade.

Teríamos de recuar até 1775 para ver a inauguração do Logis d’Angeac e até 1630 para encontrar o momento em que a família Ferrand se instalou na região onde começaram por ser lavradores a soldo. Elie Ferrand “The First” foi então contratado para trabalhar no Château de Bonbonnet e acabou por casar com a filha dos proprietários. Nasce aqui uma história que trespassa nove gerações até que o destino de Alexandre Gabriel, ainda estudante, se cruza com o senhor Ferrand e iniciam uma parceria. A casa Ferrand tinha na altura um dos melhores Cognacs da região e um know-how impressionante, mas por alguma razão não fazia negócio. Alexandre Gabriel no âmbito do seu trabalho académico começa uma colaboração com a casa que corre tão bem que acaba por ser convidado para fazer parte. Começa aqui a história da Maison Ferrand como a conhecemos hoje, uma casa multifacetada, onde o Cognac Pierre Ferrand continua a ser a jóia da coroa.


“Fazer o melhor Cognac possível”


Era este o mote de Elie Ferrand “The Eighth” e Alexandre Gabriel tomou-o como seu. Na Maison Ferrand usa-se a fórmula: vinhas excepcionais, conhecimentos aprofundados na destilação, envelhecimento e blending precisos e controlados.

As vinhas estão plantadas na parte mais nobre da região onde a composição do solo, com uma pequena camada de terra seguida de pedra de calcário, permite manter a humidade constante nas plantas o que produz uvas com a acidez necessária para produzir os vinhos ideais para destilar Cognac.

As uvas são depois apanhadas mecanicamente e à noite para manter as baixas temperaturas, são fermentadas entre cinco dias a duas semanas antes de se iniciar a destilação.

Feita lentamente em pequenos lotes em alambiques de cobre, os alambiques Charentais cuja cabeça em forma de cebola permite concentrar os aromas e sabores de fruta dos vinhos destilados com peles e grainhas. O facto de não se filtrar o Vinho dá ao líquido espirituoso corpo e sabor, elementos que irão maturar durante o processo de envelhecimento.

Para se obter o Cognac são feitas duas destilações nos alambiques aquecidos pelas chamas alimentadas a gás, cada uma delas tem a duração de 12 horas e para cada nove litros de Vinho destilado obtêm-se um litro de Cognac. O Cognac começa por ser um Vinho imbebível, mas transforma-se num produto excecional!

Saber esperar é uma virtude, e quando se fala em envelhecimento de Cognac falamos nos muitos anos que são necessários para que o líquido armazenado nos pequenos barris de carvalho francês atinja o seu estado perfeito. Em Logis d’Angeac os barris movem-se da Adega Húmida para a Adega Seca, movimento que ajuda a controlar a forma como envelhecem. A localização específica, a largura das suas paredes de calcário e o tipo de chão ditam as condições em que descansam os barris. As Adegas Húmidas têm o chão de terra, vivem na penumbra entre as teias de aranha e o musgo das paredes devido à humidade. Já as Adegas Secas têm um chão de cimento e  têm mais claridade. São adegas onde as condições de temperatura e humidade são controladas de forma natural.

Nas Adegas Secas potencia-se a evaporação da água e não do álcool o que ajuda a concentrar os aromas e sabores, já nas Adegas Húmidas a perda por evaporação, a chamada “Angels Share” fica pelos 3% de álcool o que dá textura e carácter ao Cognac. Todos os barris são examinados trimestralmente para avaliar como está a correr o processo de envelhecimento.

Só se pode destilar Cognac entre a vindima e o dia 31 de março do ano a seguir, e a idade de um Cognac só se conta a partir do dia 31 de março, mesmo que ele tenha sido destilado e armazenado em novembro do ano anterior.

Por fim, é necessária a mestria do Cellar Master, e o Cognac Pierre Ferrand conta com o conhecimento transmitido ao longo de cinco gerações, que foram apurando técnicas e os sentidos permitindo manter a coerência e a qualidade do Cognac feito nesta casa.

A Pierre Ferrand não utiliza as designações normalmente usadas nos Cognacs, como VSOP e o XO, mas sim nomes como Pierre Ferrand Ancestrale, Pierre Ferrand Sélection Des Anges ou Pierre Ferrand 1840, pois é uma forma de dar personalidade a cada um dos Cognacs.

Todos os Cognacs são brandy, mas nem todos os brandies são Cognac. A palavra Brandy provém de uma palavra alemã que significa vinho queimado, e o Cognac é um “vinho queimado” de origem controlada cuja proveniência apenas pode ser a região de Cognac, na França. É um líquido nobre, de alma francesa cuja história se entrelaça com a história do país.

Em Portugal diz-se que “Cognac é Cognac, trabalho é trabalho”, porque Cognac é para apreciar com tempo, é sinónimo de deleite e prazer.

 

PARTILHARShare on FacebookTweet about this on Twitter