Uma das questões que tenho colocado a Sommeliers é: como se bebe o vinho regular, aquele que o cidadão comum consegue comprar, quando se teve a oportunidade de provar grandes vinhos? O conhecimento nesta área não joga contra nós? Não nos transforma nos snobs do vinho incapazes de nos contentarmos com o mediano?

Essa é uma questão que por vezes me coloco. Apesar de não ser sommelier, nem ter nenhuma formação avançada nesse campo, ao longo dos anos foi-me dada a oportunidade de provar grandes vinhos. A tomada de consciência de que existem vinhos excecionais, deixa-nos menos predispostos a beber vinhos maus. É um facto.

Mas a verdade é que cada vez mais, os produtores se preocupam em trazer-nos vinhos bons a preços acessíveis, e que hoje em dia, em Portugal, só bebe mau vinho quem não estiver atento e não se preocupar em perceber quais as opções que existem no mercado.

A reflexão surge no seguimento do almoço organizado pela Ervideira no restaurante a Descoberta, em Belém, com a intensão de apresentar a nova gama de Terras D’Ervideira e de Invisível 2015.

O Terras d’Ervideira, vem com imagem e lote de castas renovado e o Invisível chega ao mercado mais cedo que o habitual para responder a uma exigência de mercado, que fez do Invisível um sucesso de vendas.

No menu de apresentação vem a frase: Terras d’Ervideira. Um grande Vinho para o dia a dia. É algo que me faz pensar: há grandes vinhos para o dia a dia? E grandes vinhos para os dias especiais?

Penso que sim. Que há vinhos que pelo binómio qualidade preço se apresentam como grandes vinhos para o dia a dia, e outros, pelas suas características e preço excecionais, serão vinhos para as ocasiões.

E já que falamos de vinhos para o dia a dia, este Terras d’Ervideria surge com uma imagem renovada. Duarte Leal da Costa sonhou com um símbolo universal e imprimiu nas garrafas de Terras d´Ervideira o Triskelion, símbolo enraizado na cultura laica e religiosa, que tanto pode ser a terra, a água e o fogo, como o Pai o Filho e o Espirito Santo, como as três castas que compõe cada vinho, o branco e o tinto.

Pretendia-se uma imagem nobre e apelativa, mas também uma imagem que permitisse internacionalizar os vinhos e ajudar à venda em mercados exteriores.

Temos então uma gama de vinhos, produzidos em Évora, no coração do Alentejo. Com a força e a vivacidade dos alentejanos e com a elegância de casas que sabem o que andam aqui a fazer.

Vinhos para o dia a dia, porque se encontram num segmento de mercado acessível, que nos permitem adquiri-los e ter em casa, abrir e provar sem grandes problemas de consciência. Mas vinhos que ainda assim têm potencial de envelhecimento e que não nos deixarão mal se ficarem uns tempos esquecidos na garrafeira.

São então, e tal como nos diz o slogan, grandes vinhos para o dia a dia. Bem feitos e acessíveis. Gastronómicos como se evidenciou no almoço, seja o branco ou o tinto, seja o peculiar Invisível, um vinho que é a verdadeira lágrima da casta aragonês, um vinho branco de casta tinta que este ano acabou por ser lançado um pouco mais cedo que o habitual.

Chega-se ao fim da refeição com uma colheita tardia. Refeições assim não são com certeza para o dia a dia. No dia a dia não nos podemos demorar assim à mesa, esta indulgência está guardada para os dias de lazer. Mas acabamos a refeição com a certeza que sim, há grandes vinhos para o dia a dia. Terras D’Ervideia é um deles.

Duarte Leal da Costa

Duarte Leal da Costa e o Enólogo Nélson Rolo

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