“Tu, faz o que quiseres, mas não bebas uma Poncha à Pescador!” disseram-me via Internet, mas já era tarde, as bochechas já estavam quentes apesar da manhã fresca e húmida de início de outono na ilha da Madeira.

Depois de várias voltas, de passar pelo Miradouro do Cabo Girão e ver as vistas largas para o enorme oceano Atlântico, enveredámos pela estrada que rasgou a ilha há mais de 130 anos através da Serra de Água. Estrada que passa mesmo pela Taberna da Poncha. E em Roma, sê Romano. Não se vai à Taberna da Poncha com pejo de beber.

O pequeno espaço encaixado no vale sombrio parece uma casa de bonecas, na sua traça antiga, nas madeiras e nos objetos que remetem para outros tempos, quando ainda era uma mercearia, ou até antes, a história da casa perde-se nos séculos de existência até que chega às mãos do Sr. Henrique. É ele, que apesar do peso da idade espreme limões numa máquina ruidosa atrás do balcão. Os primeiros minutos que ali estamos são passados a admirar a histórias contadas pelo universo de cartões e mensagens que forram as paredes. Histórias deixadas por forasteiros, depois de umas quantas Ponchas, imagino.

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A casa é um projeto familiar e é a filha do Sr. Henrique e o genro que nos recebem. No balcão de madeira meio gasto comem-se amendoins que de descascam diretamente para o chão. Eles vêm a acompanhar a primeira rodada, um Poncha tradicional. Rum da Madeira, mel e sumo de limão, vertido para um copo baixo, servido como se fosse um copo de vinho das tabernas à antiga portuguesa.

Do outro lado do balcão estão rostos simpáticos e acostumados a estranhos entusiasmados com a Poncha, embora ainda nem seja hora de almoço. E já que ali estávamos devíamos provar também a Poncha de maracujá. Ligeiramente diferente, mais fresca e doce, servida em copo alto com gelo. E pensando bem, já que ali estávamos, comendo amendoins e fazendo perguntas, não nos podíamos ir embora sem provar a Poncha à Pescador.

As mãos hábeis preparam então uma rodada. A casca de limão é pulverizada com o mel à força do pilão, por movimentos repetidos. Junta-se o Rum. E bebe-se. Não é para meninos, mas é boa! Perigosamente boa, se pensarmos num espirituoso com 50% de álcool, uma Poncha à Pescador é um shot de alegria!

Seguimos a viagem perdidos nas paisagens, quase esquecidos do arrepio que são as estradas sinuosas da Madeira.

Se foram à Taberna da Poncha bebam Poncha à Pescador, definitivamente. Certifiquem-se apenas que não são o condutor!

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